Por Pedro Leo
Coloridas, vibrantes e carregadas de tradição, as quadrilhas juninas são muito mais do que apresentações artísticas. Espalhadas por todo o Nordeste, elas representam um importante patrimônio cultural, capaz de unir gerações, preservar costumes e impulsionar uma cadeia econômica que beneficia centenas de profissionais.
Entre ensaios, figurinos, coreografias e festivais, há uma verdadeira engrenagem movida pela paixão de quem faz do São João um modo de vida. É o caso da quadrilheira Juliana Hermenegildo, que destaca a importância econômica do movimento junino.
“É uma economia criativa muito grande, que envolve as quadrilhas e festivais. São produtores culturais, costureiras e sapateiros. Eu, atualmente, por exemplo, atuo alugando figurinos para escolas públicas e particulares”, explica.
Segundo ela, o universo junino vai muito além dos meses de junho e julho. O trabalho de preparação se estende durante todo o ano, mobilizando profissionais de diversas áreas e fortalecendo a cultura popular nordestina.
Mas para quem vive a tradição de perto, existe algo que vai além da geração de renda: o sentimento de pertencimento. Uma emoção que, segundo a quadrilheira, é difícil de colocar em palavras.
“Todo quadrilheiro tem um sentimento que não sabe explicar. São ensaios, noites exaustivas. A gente não esquece esse sentimento. Quando o som da zabumba toca, algo dentro da gente se mexe”, revela.
É essa paixão que mantém viva uma das manifestações mais emblemáticas do Nordeste. Em meio às bandeirolas, vestidos rodados e ao som do forró, as quadrilhas juninas seguem reafirmando sua importância como símbolos da identidade cultural nordestina, transformando tradição em memória, arte e resistência.
Mais do que uma festa, o São João é uma expressão de pertencimento. E para milhares de quadrilheiros, quando a zabumba toca, o coração dança junto.


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