Especialista alerta que tentar engravidar naturalmente é válido, mas a idade deve ser considerada na hora de buscar ajuda
A busca por uma gravidez natural, com investigação das causas da infertilidade e mudanças no estilo de vida, tem ganhado espaço na medicina reprodutiva. A estratégia pode ser positiva, mas adiar uma avaliação especializada por muito tempo pode reduzir as chances de gravidez, especialmente quando a idade já é um fator de atenção.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade atinge cerca de uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva no mundo.
Para a médica Wendy Delmondes, coordenadora do Centro de Reprodução Humana do Hospital Mater Dei Salvador, investigar possíveis causas e cuidar da saúde do casal são medidas importantes. Alimentação equilibrada, atividade física, abandono do cigarro e controle de condições que possam afetar a fertilidade também fazem parte desse cuidado.
A idade influencia a fertilidade
O adiamento da maternidade tornou o tema ainda mais importante. Em países da OCDE, a idade média das mulheres no primeiro parto passou de 26,4 anos em 2000 para 29,5 anos em 2022.

No Brasil, os dados do IBGE também apontam essa mudança. Em 2024, 39,5% dos nascimentos foram de mães com 30 anos ou mais, enquanto duas décadas antes o percentual era de 24,3%.
Na Bahia, entre as mulheres que tiveram filhos em 2024, 34% tinham entre 30 e 39 anos e 4,8% tinham 40 anos ou mais, segundo levantamento da SEI com dados do DataSUS e da Sesab.
De acordo com Wendy, o avanço da idade está relacionado à redução da quantidade e da qualidade dos óvulos. Atualmente, não existe tratamento capaz de reverter o envelhecimento dos óvulos.
Quando procurar ajuda?
A idade também é considerada nas recomendações para investigação da infertilidade:
- Menos de 35 anos: investigação após 12 meses de tentativas;
- A partir dos 35 anos: avaliação após seis meses;
- Acima dos 40 anos: investigação mais imediata;
- Condições associadas à infertilidade: avaliação pode ser indicada antes desses períodos.
Aplicativos, testes de ovulação e observação do período fértil podem ajudar quem está tentando engravidar, mas não substituem o acompanhamento médico quando há indicação de investigação.
FIV não interrompe o envelhecimento dos óvulos
A fertilização in vitro (FIV) não rejuvenesce os óvulos, mas pode aumentar as possibilidades de gravidez em determinadas situações ao permitir a obtenção de vários óvulos em um mesmo ciclo.
Por isso, segundo a especialista, o mais importante é não perder o momento adequado para buscar tratamento. Dependendo da idade e do diagnóstico, alguns meses podem influenciar a estratégia escolhida e as chances de sucesso.
Tentativa natural também pode gerar ansiedade
A busca pela gravidez também pode afetar o emocional. O controle constante do ciclo, testes frequentes e a programação das relações podem aumentar a ansiedade e a sensação de culpa quando a gestação não acontece.
A OMS reconhece o impacto psicológico da infertilidade e recomenda que o atendimento também considere o suporte psicossocial.
A orientação não é abandonar a tentativa natural nem recorrer imediatamente à reprodução assistida. O ideal é avaliar individualmente fatores como idade, reserva ovariana, histórico do casal, possíveis causas de infertilidade e chances de cada estratégia.
“O equilíbrio está em não deixar o tempo passar sem uma análise crítica e individualizada”, conclui Wendy.

