Ciência e Saúde

Adiar tratamento pode reduzir chances de gravidez

Foto: Divulgação
Publicado em 03/09/2026 às 13:40

Especialista alerta que tentar engravidar naturalmente é válido, mas a idade deve ser considerada na hora de buscar ajuda

 

A busca por uma gravidez natural, com investigação das causas da infertilidade e mudanças no estilo de vida, tem ganhado espaço na medicina reprodutiva. A estratégia pode ser positiva, mas adiar uma avaliação especializada por muito tempo pode reduzir as chances de gravidez, especialmente quando a idade já é um fator de atenção.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a infertilidade atinge cerca de uma em cada seis pessoas em idade reprodutiva no mundo.

Para a médica Wendy Delmondes, coordenadora do Centro de Reprodução Humana do Hospital Mater Dei Salvador, investigar possíveis causas e cuidar da saúde do casal são medidas importantes. Alimentação equilibrada, atividade física, abandono do cigarro e controle de condições que possam afetar a fertilidade também fazem parte desse cuidado.

A idade influencia a fertilidade

O adiamento da maternidade tornou o tema ainda mais importante. Em países da OCDE, a idade média das mulheres no primeiro parto passou de 26,4 anos em 2000 para 29,5 anos em 2022.

Adiar tratamento pode reduzir chances de gravidez/ Foto: Divulgação

No Brasil, os dados do IBGE também apontam essa mudança. Em 2024, 39,5% dos nascimentos foram de mães com 30 anos ou mais, enquanto duas décadas antes o percentual era de 24,3%.

Na Bahia, entre as mulheres que tiveram filhos em 2024, 34% tinham entre 30 e 39 anos e 4,8% tinham 40 anos ou mais, segundo levantamento da SEI com dados do DataSUS e da Sesab.

De acordo com Wendy, o avanço da idade está relacionado à redução da quantidade e da qualidade dos óvulos. Atualmente, não existe tratamento capaz de reverter o envelhecimento dos óvulos.

Quando procurar ajuda?

A idade também é considerada nas recomendações para investigação da infertilidade:

  • Menos de 35 anos: investigação após 12 meses de tentativas;
  • A partir dos 35 anos: avaliação após seis meses;
  • Acima dos 40 anos: investigação mais imediata;
  • Condições associadas à infertilidade: avaliação pode ser indicada antes desses períodos.

Aplicativos, testes de ovulação e observação do período fértil podem ajudar quem está tentando engravidar, mas não substituem o acompanhamento médico quando há indicação de investigação.

FIV não interrompe o envelhecimento dos óvulos

A fertilização in vitro (FIV) não rejuvenesce os óvulos, mas pode aumentar as possibilidades de gravidez em determinadas situações ao permitir a obtenção de vários óvulos em um mesmo ciclo.

Por isso, segundo a especialista, o mais importante é não perder o momento adequado para buscar tratamento. Dependendo da idade e do diagnóstico, alguns meses podem influenciar a estratégia escolhida e as chances de sucesso.

Tentativa natural também pode gerar ansiedade

A busca pela gravidez também pode afetar o emocional. O controle constante do ciclo, testes frequentes e a programação das relações podem aumentar a ansiedade e a sensação de culpa quando a gestação não acontece.

A OMS reconhece o impacto psicológico da infertilidade e recomenda que o atendimento também considere o suporte psicossocial.

A orientação não é abandonar a tentativa natural nem recorrer imediatamente à reprodução assistida. O ideal é avaliar individualmente fatores como idade, reserva ovariana, histórico do casal, possíveis causas de infertilidade e chances de cada estratégia.

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“O equilíbrio está em não deixar o tempo passar sem uma análise crítica e individualizada”, conclui Wendy.

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