Ciência e Saúde

Infarto pode ocorrer mesmo sem artéria entupida

Foto: Reprodução/ Lorena Venturini
Publicado em 03/09/2026 às 12:10

Condição conhecida como MINOCA representa até 10% dos infartos e exige investigação para identificar a causa

 

Dor no peito, alterações no eletrocardiograma e elevação da troponina podem indicar um infarto. Porém, em alguns casos, o cateterismo não encontra uma obstrução significativa nas artérias coronárias. Essa condição é chamada de MINOCA, sigla em inglês para infarto do miocárdio sem obstrução das artérias coronárias.

Segundo a Diretriz Brasileira de Doença Coronariana Crônica de 2025, o MINOCA corresponde a cerca de 5% a 10% dos casos de infarto agudo do miocárdio. Entre as possíveis causas estão espasmos das coronárias, alterações da microcirculação, pequenos trombos, dissecção espontânea da artéria e ruptura ou erosão de placas.

Cateterismo sem obstrução não descarta o infarto

O cateterismo é importante para identificar obstruções nas coronárias, mas a ausência de uma artéria significativamente entupida não significa que o paciente não tenha sofrido um infarto.

Dr. Sérgio Câmara- Foto: Reprodução/ Lorena Venturini

“O MINOCA é um diagnóstico que exige investigação para descobrir qual mecanismo provocou a lesão cardíaca”, explica o cardiologista intervencionista Sérgio Câmara.

Exames ajudam a identificar a causa

Além do cateterismo, outros exames podem ser necessários para esclarecer o quadro:

  • OCT e IVUS: permitem observar detalhes da parede das coronárias, como pequenos trombos e alterações nas placas;
  • Ressonância magnética cardíaca: avalia o músculo do coração e ajuda a diferenciar o MINOCA de doenças que podem imitar um infarto, como miocardite e síndrome de Takotsubo.

Um estudo multicêntrico publicado na revista Circulation em 2026 mostrou que a combinação desses exames conseguiu esclarecer a causa do quadro em 79% dos pacientes avaliados.

Mulheres estão entre as mais afetadas

O MINOCA é proporcionalmente mais frequente entre mulheres jovens com infarto do que entre homens. Algumas causas, como a dissecção espontânea da coronária e alterações da microcirculação, também apresentam maior associação com o sexo feminino.

Quadro exige acompanhamento

Mesmo sem uma grande obstrução coronariana, o MINOCA não deve ser considerado benigno. Os pacientes continuam sujeitos a novos eventos cardiovasculares e precisam de acompanhamento médico.

Dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea ou mal-estar intenso exigem avaliação de emergência, independentemente da idade ou do sexo.

Tratamento depende da causa

O tratamento varia conforme o mecanismo responsável pelo infarto. Espasmo coronariano, alterações de placa, disfunção microvascular e dissecção, por exemplo, podem exigir estratégias diferentes.

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“O MINOCA não é uma doença única. Descobrir o que provocou o infarto é o que permite direcionar a terapia e prevenir novos eventos”, conclui Sérgio Câmara.

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