Ciência e Saúde

Brasil entra em pesquisa internacional para encontrar cura da hepatite B

Foto: Reprodução: Jefferson Peixoto/Secom
Publicado em 31/08/2026 às 13:40

Um estudo internacional que tem o intuito de entender melhor a hepatite B e encontrar caminhos para o desenvolvimento de tratamentos mais eficazes terá participação de pesquisadores brasileiros. Duas instituições públicas do país estão fazendo parte do projeto, coordenado pela Faculdade de Medicina da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos.

Esse consórcio reúne equipes de pesquisa do Brasil, Índia, Senegal e Uganda. Pelo Brasil, participam o Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), e a Universidade de São Paulo (USP).

A investigação vai analisar, em nível celular, como o vírus da hepatite B se comporta em pessoas de diferentes países e como o sistema imunológico reage à infecção. Também serão avaliados pacientes que possuem hepatite B e HIV simultaneamente.

Pesquisa inédita

Criado em 2023, o consórcio teve as atividades interrompidas em 2024 e voltou a funcionar no ano seguinte. No Brasil, os trabalhos começaram em 2026 e devem seguir por aproximadamente cinco anos, combinando análises laboratoriais com o acompanhamento clínico dos participantes.

  • No total, 600 pacientes serão acompanhados durante cerca de quatro anos e meio, sendo 150 de cada país participante. A equipe brasileira ficará responsável pela análise de 75 pessoas.

Os pesquisadores querem descobrir por que a doença apresenta comportamentos diferentes entre os pacientes e identificar características genéticas que possam estar relacionadas a uma evolução mais lenta da infecção. O estudo também vai investigar estruturas do vírus que possam indicar possíveis caminhos para novos tratamentos.

A expectativa é que os resultados ajudem a encontrar alvos para o desenvolvimento de medicamentos, incluindo estratégias capazes de estimular ou modificar a resposta do sistema imunológico.

No Espírito Santo, o recrutamento começou em julho e já reúne 40 participantes. A previsão é completar o grupo de 75 voluntários até o fim deste ano, enquanto o prazo estabelecido para essa etapa da pesquisa vai até meados de 2027.

Impactos da doença

A hepatite B é uma infecção viral que atinge o fígado e pode permanecer no organismo sem apresentar sintomas. Quando se torna crônica, a doença pode evoluir para cirrose e câncer de fígado, além de aumentar o risco de morte.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 240 milhões de pessoas convivam com a infecção crônica no mundo. No Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam 276,6 mil casos confirmados entre 2000 e 2022.

O vírus pode ser transmitido por meio de relações sexuais, contato com sangue contaminado e também da mãe para o bebê durante a gestação ou o parto.

Prevenção

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  • A vacinação é a principal forma de prevenção contra a hepatite B e está disponível gratuitamente pelo SUS para pessoas que ainda não foram imunizadas, independentemente da idade.
  • Além da vacina, a prevenção inclui o uso de preservativos nas relações sexuais e o cuidado para não compartilhar objetos que possam ter contato com sangue, como materiais perfurocortantes e itens de uso pessoal.
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