Setembro é o mês de conscientização sobre os cânceres ginecológicos, que devem acometer cerca de 37 mil brasileiras em 2026
Conscientizar a população feminina sobre a importância da vacinação contra o HPV, das consultas ginecológicas e dos exames periódicos de rastreamento são alguns dos objetivos da campanha realizada em setembro, mês dedicado à conscientização sobre os cânceres ginecológicos. As doenças devem acometer cerca de 37 mil mulheres brasileiras em 2026, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA).
“A campanha busca sensibilizar as mulheres sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dos cânceres que acometem o aparelho reprodutor feminino, como o câncer de colo de útero, o terceiro tipo de tumor mais frequente entre as brasileiras, embora seja um dos mais evitáveis”, destaca o oncologista Daniel Brito, da Oncoclínicas.
Além das consultas e exames periódicos e da imunização contra o HPV, disponível na rede pública para meninas e meninos de 9 a 14 anos, a adoção de um estilo de vida saudável também é um fator de proteção contra o câncer. “Ter uma alimentação equilibrada, evitar o consumo de alimentos ultraprocessados, praticar atividade física regularmente, manter-se no peso adequado, não fumar e evitar o consumo excessivo de álcool também são hábitos que reduzem o risco de desenvolver câncer”, explica a oncologista Daniela Barros, da Oncoclínicas.

A oncologista Camila Chiodi, da Oncoclínicas, ressalta a importância da atenção aos sinais e sintomas. “Ao notar qualquer alteração persistente, como alteração do fluxo menstrual, corrimento escuro ou com forte odor e dor durante a relação sexual, a mulher deve buscar logo seu médico para avaliação”, afirma. A especialista lembra que o diagnóstico precoce pode significar um tratamento bem menos invasivo e, principalmente, maiores chances de cura.
A infecção persistente por determinados tipos de HPV (Papilomavírus Humano) é o principal fator de risco para o câncer de colo de útero. “O HPV-16 e o HPV-18, considerados de alto risco oncogênico, são responsáveis por mais de 90% dos casos de câncer de colo de útero”, afirma a oncologista Hamanda Nery, da Oncoclínicas.

Os cânceres ginecológicos afetam órgãos do sistema reprodutor feminino, como útero, ovários, vulva e vagina. O câncer de colo de útero, ou câncer cervical, é o mais comum entre eles, com previsão de 19.310 novos casos por ano no Brasil, e representa o terceiro tipo de tumor que mais afeta as mulheres brasileiras, atrás apenas dos cânceres de mama e colorretal, segundo o INCA. Na Bahia, a estimativa é de 1.370 novos casos em 2026, de acordo com o Instituto.
Sintomas que não devem ser subestimados
Os especialistas chamam atenção para alguns sinais que merecem avaliação médica:
- Alteração do fluxo menstrual;
- Corrimento com sangue escuro e/ou forte odor;
- Aumento de gases ou indigestão;
- Dor durante a relação sexual;
- Perda de peso sem causa aparente;
- Inchaço abdominal;
- Dor pélvica;
- Sensação de pressão no abdômen ou na pelve;
- Fadiga persistente.
Fatores de risco e estilo de vida
Idade avançada, histórico familiar da doença, infecção por HPV, tabagismo, obesidade, menarca precoce (antes dos 12 anos) ou menopausa após os 52 anos e uso prolongado de contraceptivos orais são alguns dos fatores que podem aumentar o risco de desenvolvimento de um câncer ginecológico.
Não ter tido filhos, ter múltiplos parceiros sexuais e realizar reposição hormonal de forma inadequada também são apontados como fatores de risco.

