Ciência e Saúde

Câncer de mama: médica alerta sobre fake news

Foto: Divulgação
Publicado em 09/09/2026 às 14:25

A desinformação sobre o câncer de mama pode alimentar medos e afastar mulheres da rotina de exames, comprometendo o diagnóstico precoce, um dos principais aliados para o sucesso do tratamento. Em meio a notícias falsas, receitas milagrosas e discursos sem comprovação científica, levar informação correta e acolhedora é uma questão de saúde pública.

Em 2019, o canal de checagem do Ministério da Saúde já apontava o câncer como a doença mais citada em notícias falsas. Cinco anos depois, em 2024, o problema chegou ao ápice no Brasil, com a viralização de conteúdos que desencorajavam a realização da mamografia. O caso resultou na interdição cautelar de uma médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e na remoção judicial das publicações no início de 2025.

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Para a médica mastologista Larissa Bitencourt, a informação correta é uma das principais ferramentas para combater esse cenário.

“O maior perigo da notícia falsa é o desespero que paralisa. Quando uma mulher deixa de fazer a mamografia por medo da radiação ou ignora um sinal por achar que sem histórico familiar está imune, perdemos a chance da descoberta precoce. Orientar com base em evidências é devolver a tranquilidade a essa mulher”, ressalta.

Ausência de histórico familiar protege?

Esse é um dos mitos mais comuns. Na realidade, a maioria dos diagnósticos ocorre em mulheres sem histórico familiar.

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Estudos publicados na revista The Lancet apontam que cerca de 90% dos casos são esporádicos, enquanto apenas 5% a 10% estão relacionados a mutações genéticas hereditárias, como BRCA1 e BRCA2.

Além do histórico familiar, fatores como idade, estilo de vida, hormônios e densidade mamária também podem influenciar o risco.

Câncer de mama só aparece em mulheres mais velhas?

Embora a incidência seja maior após os 50 anos, o câncer de mama também pode atingir mulheres jovens e homens. De acordo com o New England Journal of Medicine, os homens representam cerca de 1% dos casos.

Os dados do Morbidity and Mortality Weekly Report também registraram aumento nos diagnósticos entre mulheres de 20 a 39 anos. Por isso, qualquer alteração persistente deve ser investigada, independentemente da idade.

Pancadas podem causar câncer?

A literatura médica não reconhece traumas físicos como causa de tumores. O que pode acontecer é a mulher apalpar a região após uma pancada e perceber um nódulo que já existia ou uma alteração benigna.

Estudos publicados no British Journal of Surgery reforçam essa relação.

Sutiã e desodorante causam câncer?

Também não há comprovação científica dessa relação. Pesquisas publicadas no Journal of the National Cancer Institute e na Cancer Epidemiology, Biomarkers & Prevention não encontraram associação entre o câncer de mama e o uso de sutiãs encorpados ou desodorantes com alumínio.

Açúcar “alimenta” o tumor?

A ideia de que o açúcar alimenta diretamente o câncer também é um mito.

A diretriz da American Cancer Society explica que todas as células utilizam glicose. O consumo excessivo de açúcar pode aumentar o risco de forma indireta, por favorecer a obesidade após a menopausa.

Uma metanálise publicada na Nutrition Reviews, com dados de 2,2 milhões de mulheres, também não encontrou ligação direta entre o consumo de açúcar e o câncer de mama.

Medo da mamografia e da biópsia

O receio em relação aos procedimentos também pode levar mulheres a adiar a investigação.

“A mamografia utiliza doses baixíssimas de radiação e a compressão não espalha células tumorais. O exame permanece como o único capaz de identificar microcalcificações iniciais, não sendo substituído pelo ultrassom e nem pela ressonância de mamas, que atuam como exames complementares em mamas densas. Já a biópsia por agulha é um procedimento seguro e indispensável para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento, sem o risco de ‘acordar’ ou ‘espalhar’ o tumor”, esclarece a mastologista.

Como identificar uma informação falsa?

Diante do grande volume de conteúdos que circulam nas redes sociais, a médica reforça a importância de checar as informações antes de compartilhá-las.

“A desinformação se veste de autoridade para gerar engajamento. Checar se a mensagem tem respaldo no Ministério da Saúde, no Instituto Nacional do Câncer (INCA) ou na Sociedade Brasileira de Mastologia é uma forma de autocuidado”, orienta Dra. Larissa Bitencourt.

Outra recomendação é confirmar o registro do profissional no site do Conselho Federal de Medicina (CFM) e verificar se ele possui o Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área.

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Manter os exames em dia e buscar informações em fontes confiáveis continuam sendo medidas importantes para cuidar da saúde das mamas.

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