Por: Milena D’ Anunciação
O dia do Orgulho Autista, que é celebrado no dia 18 de junho, chega como uma oportunidade para ampliar o debate sobre respeito, inclusão e valorização das pessoas dentro do espectro autista. Essa data também acaba chamando atenção a respeito dos desafios ainda enfrentados por crianças, jovens e adultos autistas em diferentes ambientes da sociedade.
De acordo com a psicóloga Juliana Doria, do Spazio Integrar, essa data vai além da conscientização e busca reforçar a importância de reconhecer a singularidade de cada indivíduo. “É uma data que promove a conscientização, o respeito às diferenças e a valorização da identidade e singularidade das pessoas autistas”, destaca.
Apesar de atualmente ter tido avanços na discussão sobre o tema, o preconceito e a desinformação ainda fazem parte do cotidiano de muitas famílias. Entre os equívocos mais comuns, estão a crença de que todas as pessoas que estão dentro do espectro autista são iguais ou de que não conseguem desenvolver habilidades, aprender ou demonstrar afeto.
Para a especialista, a falta de informação contribui diretamente para a exclusão, que atinge especialmente as crianças. “A desinformação gera julgamentos, falta de acolhimento e barreiras na participação da criança em ambientes sociais e escolares”, explica.
Pensando nesse contexto, escolas, familiares e a sociedade têm papel fundamental na construção de espaços mais inclusivos. A orientação é que as pessoas busquem conhecimento sobre o transtorno, respeitem as necessidades individuais de cada pessoa e promovam ambientes acolhedores e acessíveis.
“A inclusão começa pelo respeito, pela escuta e pelo reconhecimento de que cada pessoa autista tem sua própria forma de perceber e interagir com o mundo”, ressalta Juliana.
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Com a chegada dos festejos juninos, outro tema ganha destaque: os impactos dos fogos de artifício e dos estímulos sonoros intensos para pessoas autistas.
De acordo com a psicóloga, muitas pessoas dentro do espectro costumam apresentar uma maior sensibilidade sensorial, o que pode tornar os sons altos e inesperados uma experiência desconfortável ou até dolorosa.
Sinais de sobrecarga sensorial em crianças autistas
- Choro repentino;
- Irritação ou mudanças bruscas de comportamento;
- Agitação excessiva;
- Tentativa de sair ou fugir do ambiente;
- Tampar os ouvidos devido ao excesso de barulho;
- Intensificação de comportamentos de autorregulação.
Para minimizar os impactos, é recomendado que os responsáveis preparem previamente a criança para os eventos, explicando o que vai acontecer e siga adotando estratégias que proporcionem mais conforto e segurança.
“O uso de abafadores de ruído, a escolha de locais mais tranquilos e a possibilidade de pausas durante as festas podem ajudar a reduzir o desconforto”, orienta.
A especialista também defende que os festejos sejam pensados de forma mais inclusiva, que tenham espaços de acolhimento, redução de estímulos em determinados ambientes e capacitação das equipes organizadoras.
“Celebrar a cultura também significa garantir que todas as pessoas possam participar com conforto, segurança e respeito às suas necessidades”, conclui.
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