Ciência e Saúde

Estudo associa anabolizantes a risco triplo de infarto

Publicado em 06/11/2026 às 13:40

Especialista alerta para infertilidade e explica em quais situações a reposição de testosterona é recomendada

O uso de anabolizantes para acelerar o ganho de massa muscular ou melhorar o desempenho sexual pode trazer consequências graves para a saúde. Uma pesquisa publicada recentemente na revista científica Circulation apontou que pessoas que utilizam esteroides anabolizantes apresentam risco três vezes maior de sofrer infarto e quase nove vezes maior de desenvolver cardiomiopatia, doença que afeta o músculo cardíaco.

O tema ganha destaque durante o Novembro Azul, campanha voltada à conscientização sobre a saúde masculina. Embora a testosterona seja um hormônio fundamental para o funcionamento do organismo e possa ser administrada em casos de deficiência comprovada, sua utilização para fins estéticos é diferente da reposição hormonal indicada por médicos.

No Brasil, a Resolução nº 2.333/2023 do Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe a prescrição de esteroides anabolizantes para fins estéticos, ganho de massa muscular ou melhora do desempenho esportivo.

“Quando alguém usa testosterona ou outros anabolizantes para acelerar resultados na academia, não está necessariamente corrigindo uma deficiência. Pode estar expondo o organismo a danos cardiovasculares, sexuais e reprodutivos”, alerta o urologista Augusto Modesto, da Clínica Urológica da Bahia (CUB).

Riscos vão além da aparência

Os efeitos do uso indiscriminado de anabolizantes não se limitam às alterações físicas. Entre os problemas associados estão hipertensão, mudanças nos níveis de colesterol, trombose, lesões no fígado, acne e alterações de humor.

O uso de hormônios sintéticos também pode interferir na produção natural de testosterona, provocar a redução do volume dos testículos e comprometer a fabricação de espermatozoides.

Foto: Divulgação

“É um paradoxo: muitos jovens buscam os anabolizantes para melhorar a aparência e a vida sexual, mas podem terminar com infertilidade, disfunção erétil, distúrbios de coagulação, infarto fulminante e acidentes vasculares cerebrais! Além, é claro, da dificuldade de recuperar a produção hormonal após interromper o uso”, explica Augusto Modesto.

Quando a reposição hormonal é indicada?

A utilização de testosterona, entretanto, não é necessariamente inadequada em todos os casos. Em 2026, a Sociedade Brasileira de Urologia, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia e a Associação Brasileira de Estudos em Medicina e Saúde Sexual divulgaram recomendações conjuntas para orientar o diagnóstico e o tratamento do hipogonadismo masculino, condição caracterizada pela deficiência hormonal acompanhada de sintomas.

Entre os sinais que podem estar relacionados ao problema estão a diminuição persistente da libido, a perda de força e massa muscular, a fragilidade dos ossos e a redução da disposição. A deficiência hormonal também pode contribuir para a perda muscular associada à sarcopenia.

Quando existe indicação médica, a reposição de testosterona pode ajudar a aliviar sintomas sexuais e favorecer a manutenção da massa magra e da saúde óssea. No entanto, o envelhecimento, o cansaço ou o desejo de ganhar músculos, isoladamente, não justificam o tratamento.

“Reposição hormonal não é fórmula de rejuvenescimento. O objetivo é restaurar níveis adequados em quem realmente precisa, depois de investigar possíveis causas dos sintomas, como obesidade, problemas de sono e outras doenças”, esclarece o especialista.

Foto: Divulgação

Para confirmar o diagnóstico, é necessária uma avaliação clínica acompanhada de pelo menos duas dosagens de testosterona realizadas pela manhã, em dias diferentes. O médico também considera o desejo de ter filhos e possíveis contraindicações antes de definir a conduta.

Durante o tratamento, o paciente precisa passar por acompanhamento periódico, com avaliação dos resultados, hemograma e monitoramento da saúde prostática, conforme cada situação.

Centro de Andrologia e Infertilidade

Em Salvador, a Clínica Urológica da Bahia (CUB) implantou neste ano o Centro de Andrologia e Infertilidade, voltado ao atendimento de questões hormonais, sexuais e reprodutivas masculinas.

Na unidade, os pacientes passam por uma avaliação individualizada e, quando há indicação de reposição hormonal, recebem acompanhamento semestral, com monitoramento e possíveis ajustes de medicamentos e doses.

O atendimento também busca identificar as causas dos problemas apresentados, orientar os pacientes e realizar encaminhamentos para outros especialistas quando necessário.

“A reposição hormonal é bem diferente da suplementação de testosterona. Esse limite, tênue, é definido pelo especialista, com ética, avaliações e acompanhamento para obter os melhores resultados”, avalia Augusto Modesto.

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O urologista reforça que o cuidado com a saúde hormonal masculina deve considerar tanto os riscos do uso sem indicação quanto a necessidade de tratar deficiências comprovadas. A avaliação médica é fundamental para definir a conduta adequada para cada paciente.

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