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Comemoração à galega: comunidade espanhola na Bahia celebra bicampeonato da Espanha

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Comunidade espanhola reuniu mais de 150 pessoas em Lauro de Freitas para assistir à final da Copa do Mundo e manter vivos laços construídos ao longo de gerações 

A Copa do Mundo acrescentou novo capítulo a uma história de mais de cinco décadas de encontros, memórias e tradições. No último dia 19, o tradicional almoço de domingo da comunidade galega na Bahia ganhou um ingrediente especial: a final do Mundial entre Espanha e Argentina. Mais de 150 pessoas se reuniram no Centro Recreativo União do Río Tea, em Lauro de Freitas, na Região Metropolitana de Salvador, para acompanhar em um telão a vitória espanhola por 1 a 0, na prorrogação, e comemorar o bicampeonato mundial de La Roja.

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A conquista foi a cereja do bolo para uma tradição iniciada em 1974. Fundado por imigrantes vindos da Galícia, no noroeste da península ibérica, o clube associativo tornou-se ponto de encontro para espanhóis e seus descendentes. Aos domingos, associados e familiares dividem a mesa em torno de pratos típicos, preservando memórias, fortalecendo relações e transmitindo às novas gerações parte da cultura trazida do outro lado do Atlântico.

Desta vez, entre a comida e as conversas, as atenções estavam voltadas para a decisão do Mundial. A estrutura montada especialmente para a partida transformou a rotina dominical em uma grande torcida coletiva e recuperou a lembrança do primeiro título espanhol, em 2010, também acompanhado em grupo pela comunidade.

“Assistimos juntos em 2010, quando a Espanha ganhou a primeira Copa, e dessa vez a gente decidiu fazer um evento, colocando uma estrutura de telão. E é muito bom ver todo mundo feliz, comemorando que fomos campeões”, contou Diego Otero Rangel, presidente do Río Tea.

Diego Otero Rangel é presidente do clube Río Tea

A relação entre Bahia e Espanha, porém, vai muito além do futebol. A presença espanhola no estado, marcada especialmente pela influência galega, teve início ainda na segunda metade do século XIX e ganhou força ao longo do século XX. Com o passar das décadas, deixou marcas na culinária, no comércio e na vida social, cultural e esportiva, por meio de empórios, padarias e instituições como a União do Río Tea, o Clube Espanhol, a Associação Cultural Caballeros de Santiago e o Galícia Esporte Clube.

A festa pelo título espanhol, nesse contexto, foi mais do que uma comemoração esportiva. Entre galegos veteranos e descendentes das novas gerações, vestir a camisa de La Roja e acompanhar juntos uma final de Copa do Mundo também reforça um sentimento de pertencimento construído e preservado longe da terra dos antepassados. “A gente já está em outra geração, entre a terceira e quarta gerações, e queremos manter essa instituição viva para que todos possam conhecer e ter esse intercâmbio de culturas”, afirmou Diego.

Estrutura contou com telão para a final (Fotos: Juliana Lisboa)

O gol de Ferran Torres na prorrogação que deu à Espanha o bicampeonato também serviu para reforçar uma tradição em território baiano. Se o futebol reuniu mais de 150 pessoas diante do telão, foram os vínculos cultivados ao redor da mesa durante mais de meio século que transformaram mais uma final de Copa do Mundo em uma celebração de memória, pertencimento e encontro entre culturas.

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