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Milhares enfrentam chuva e celebram Domingo de Ramos e os 477 anos de Salvador

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Debaixo de um céu carregado e de uma chuva insistente que tomou conta de Salvador desde as primeiras horas da manhã, centenas de fiéis desafiaram o tempo e ocuparam as ruas do centro para celebrar o Domingo de Ramos. Nem o frio, nem o vento, nem as roupas encharcadas foram suficientes para conter a devoção de quem fez questão de marcar presença no início da Semana Santa.

Logo às 7h, a Praça do Campo Grande já estava tomada por pessoas de todas as idades. Entre guarda-chuvas coloridos e ramos erguidos, o cenário misturava fé e resistência. Era o início da caminhada que seguiria até a Praça Municipal, onde seria celebrada a missa campal.

 

 

A data, que recorda a entrada de Jesus em Jerusalém, marca a abertura da Semana Santa, período mais importante do calendário cristão. Para muitos, mais do que tradição, trata-se de um reencontro com a própria espiritualidade.

“Eu venho todo ano, faça chuva ou faça sol”, conta Maria Joana, 62 anos, aposentada e moradora do bairro da Liberdade. Com o terço nas mãos e os pés molhados, ela não escondia a emoção. “Hoje é um dia de renovação. A gente começa essa semana pedindo força, pedindo paz.”

 

 

A procissão seguiu lentamente pelas ruas do centro histórico. Em meio ao som de cânticos e orações, famílias inteiras caminhavam juntas. Crianças, idosos e jovens dividiam o mesmo espaço, unidos por um gesto simples: carregar ramos que simbolizam acolhimento e esperança.

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

 

 

O estudante Lucas Andrade, de 21 anos, participava pela primeira vez. “Eu quase desisti por causa da chuva, mas resolvi vir. E não me arrependo. Parece que a gente sente algo diferente, sabe? Uma energia boa.”

Ao chegar à Praça Municipal, os fiéis se concentraram para a celebração da Santa Missa, presidida pelo arcebispo de Salvador e primaz do Brasil, Dom Sergio da Rocha. Em sua homilia, ele destacou o significado profundo daquele momento para a Igreja.

“Nós temos a grande alegria, a graça de iniciar, com toda a Igreja, a Semana Santa, a maior de todas as semanas”, afirma. Ele convidou os fiéis a viverem o período com mais oração, meditação e prática da caridade, ressaltando a importância do perdão em tempos marcados por conflitos e violência.

“A Semana Santa deve ser um tempo especial para rezar, mas também para viver a caridade para com o próximo”, diz o cardeal, reforçando a necessidade de reconciliação entre as pessoas como caminho para a paz.

Entre os presentes, estava também o prefeito de Salvador, Bruno Reis, que destacou a coincidência simbólica entre a celebração religiosa e o aniversário da cidade. Para ele, o momento reforça valores como fé, esperança e solidariedade.

“É um dia de amor e compaixão. Justamente no aniversário da cidade, renovamos nossa esperança em dias melhores”, afirma. O prefeito também ressaltou o impacto do turismo religioso para a economia local, destacando o apoio da gestão municipal a eventos de fé.

Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

 

 

No meio da multidão, histórias se cruzavam. Dona Tereza Silva, ambulante de 48 anos, aproveitou o movimento para trabalhar, mas não deixou de participar. “Eu vendo minha água, meu lanche, mas também rezo. Uma coisa não impede a outra. Deus está em todo lugar.”

Já o casal João e Ana Ribeiro trouxe o filho de 8 anos pela primeira vez. “A gente quer ensinar desde cedo. Mesmo com chuva, é importante viver isso em família”, disse João, enquanto o menino segurava com firmeza um pequeno ramo.

Ao longo de todo o percurso, a chuva não deu trégua. Ainda assim, ninguém arredou pé. Pelo contrário: a persistência dos fiéis parecia fortalecer ainda mais o sentido da celebração.

Entre passos apressados e momentos de silêncio, a caminhada seguiu como um retrato vivo da fé baiana, intensa, coletiva e resistente. Um testemunho de que, mesmo diante das adversidades, a esperança encontra sempre um caminho para florescer.

E foi assim, sob chuva e devoção, que Salvador abriu oficialmente a Semana Santa: com ruas cheias, corações abertos e a certeza de que a fé, quando compartilhada, se torna ainda mais forte.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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Foto: Romildo de Jesus/Tribuna da Bahia

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