Segundo o levantamento do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), a taxa de analfabetismo funcional alcança 29% da população entre 15 e 64 anos, no Brasil
Neste 8 de Setembro, Dia Mundial da Alfabetização, a data nos convida a olhar para a realidade de milhões de brasileiros que até compreendem as palavras, mas não entendem seu significado.
As palavras estão em todos os lugares. Seja no ônibus, na calçada, nas farmácias, nos contratos, nos contatos… ou seja, fazem parte da rotina que abre diversas portas e oportunidades. Mas, para quem não sabe lê-las, ela representa uma “barreira”.
No Brasil, essa “barreira” faz parte da vida de milhões de pessoas. Segundo o levantamento do Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), a taxa de analfabetismo funcional alcança 29% da população entre 15 e 64 anos, no país.
Mas, embora os números falam por si só, elas não traduzem o significado de viver em um mundo escrito. Pois, não conseguir preencher um formulário, qual ônibus pegar, qual contato ligar transforma nossa vida em uma série de dependências, transformando-a limitações por aquilo que não conseguimos compreender.
Para Laís Lira, docente das Licenciaturas e coordenadora de uma das unidades do Programa de Alfabetização do Instituto Yduqs, na Estácio, a alfabetização precisa estar ligada à vida cotidiana e à construção da autonomia.
“Em uma sociedade letrada, na qual atividades aparentemente simples exigem conhecimentos de leitura e escrita para serem realizadas, a nossa metodologia de ensino tem o objetivo de trazer a esse aluno, que não teve acesso à escolarização ou precisou interromper seus estudos ao longo da vida, uma alfabetização funcional e que gera, a cada encontro, autonomia para resolver problemas cotidianos, como também, para minimizar sentimentos de dependência e exclusão”, explica.
Com o intuito de transformar esta realidade nasceu o Programa de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos do Instituto Yduqs, hoje com mais de 20 unidades em todo o país, com cerca de 100 educadores envolvidos e mais de 2.500 alunos formados.

Crédito: Divulgação
A Leitura Abre Portas
Aos 58 anos, a baiana Maria Helena Almeida conhece bem esse caminho. Nascida em Santa Cruz Cabrália e moradora do Barbalho, em Salvador, ela dedicou grande parte da vida ao sustento da família. Desde os 10 anos, trabalha com atividades ligadas à plantação e à cozinha.
Durante boa parte da vida, o estudo esteve distante de sua realidade. Sem pessoas que a orientassem sobre a importância da educação, Maria Helena assumiu responsabilidades ainda muito jovem. Em diferentes momentos, precisou exercer sozinha os papéis de mãe e pai.
Hoje, dona de casa e aluna do Curso de Alfabetização e Letramento de Jovens e Adultos da Estácio, em Salvador, ela começa a construir uma nova relação com as palavras. O desejo de aprender a ler, que permaneceu durante anos, ganhou força principalmente por causa dos filhos.
“Eu tive uma vida muito dura. Infelizmente, não tive pessoas para me orientar sobre a importância do estudo. Minha única missão era sobreviver.”
Agora, cada nova palavra aprendida representa também uma nova possibilidade. Ler deixa de ser apenas uma habilidade a ser desenvolvida em sala de aula e passa a significar autonomia, descoberta e transformação.
“A leitura é um abrir de portas na minha vida. A Estácio está sendo um grande suporte para mim”, afirma.
A história de Maria Helena mostra que alfabetizar também é devolver possibilidades. Quando uma pessoa passa a compreender aquilo que antes precisava que alguém lesse por ela, muda não apenas sua relação com as palavras, mas também a maneira como ocupa o mundo.
Como resume Laís Lira, a alfabetização pode se tornar um caminho para a dignidade, o pertencimento e o exercício da cidadania — porque nunca é tarde para aprender e ampliar os próprios horizontes.

