Pesquisa afirma que 20,4% dos alunos do ensino fundamental e do ensino médio já fez apostas
As bets são plataformas de apostas online que permitem que apostem seus dinheiros em resultados de partidas esportivas. A notoriedade do assunto aumentou após o aparecimento de suas propagandas em redes sociais e, até mesmo, em canais de televisão.
Com o uso desenfreado desses sites/aplicativos, diversas preocupações estão sendo geradas. De acordo com a Associação Médica Brasileira, as famílias brasileiras já perderam cerca de R$62,5 bilhões em 2025, tendo como consequência, principalmente, problemas emocionais como ansiedade e estresse excessivos.
A Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info, desenvolveu uma pesquisa em agosto e setembro deste ano a partir de relatos de 1.912 estudantes de 191 escolas do Brasil, sendo possível afirmar que a prática começa aos 11 anos de idade, chegando aos 32,3% em adolescentes de 17 anos.
Além do levantamento sobre a idade, é possível identificar uma diferença significativa entre os gêneros. Entre o total de entrevistados que já apostaram, 27,8% dos meninos afirmaram já ter realizado apostas, enquanto o percentual entre as meninas foi de 12,6%.
Apesar de apostarem com frequência, quatro em cada dez estudantes não sabem dizer se ganharam mais do que perderam. Entre os entrevistados, 7,4% afirmam ter ganhado mais, enquanto 5,2% dizem ter perdido mais. Estima-se que, entre esse público, perdas podem ultrapassar R$1 bilhão.
Segundo o coordenador da pesquisa, Guilherme Lichand, as plataformas possuem uma espécie de lembrete que informa valores perdidos e indica que o usuário estabeleça um valor máximo antes das apostas, esperando gerar uma moderação no uso. Porém, não são o suficiente.
Lichand afirma que, de acordo com estudos científicos, soluções que focam no comportamento individual do usuário podem não ser o bastante, sendo necessário tomar medidas mais concretas.
“A proibição de propaganda e impostos relevantes sobre valores transacionados pelas bets colocam a responsabilidade nos atores corretos e têm efeitos comprovados sobre redução do risco de exposição”, diz.
Com esse resultado, o estudo afirma que há uma necessidade de haver restrições publicitárias e proteções mais brandas para menores de 18 anos.

