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André That Hora transforma ruído em manifesto no EP “Zuada” e destaca ancestralidade negra do rock

Publicado em 03/11/2026 às 16:00

Com lançamento marcado para 3 de novembro, o artista baiano mistura nu metal, rap e referências afro-baianas em um trabalho que aborda o racismo cultural

São Paulo, novembro de 2026 — Quem define o que é música e o que é barulho? Por que uma guitarra distorcida pode ser reconhecida como símbolo de rebeldia, enquanto os graves de um paredão nas periferias são frequentemente tratados como perturbação? Essas questões estão no centro de “ZUADA”, novo EP-manifesto do músico e comunicador André That Hora, que chega às plataformas digitais nesta terça-feira (3).

O título do projeto reúne diferentes significados. No cotidiano, a palavra “zuada” costuma ser associada a excesso, desordem ou a um som considerado indesejado. No trabalho, porém, o termo ganha outro sentido e passa a representar uma afirmação estética e política, mostrando como aquilo que é classificado como ruído também pode expressar identidade, memória, criatividade e pertencimento.

A proposta dialoga com as disputas pela ocupação sonora dos espaços urbanos. Paredões, festas populares e manifestações musicais das periferias frequentemente enfrentam estigmas e repressão, enquanto outras expressões sonoras recebem reconhecimento institucional e prestígio cultural. Para o artista, essas diferenças vão além do volume ou das características acústicas e também envolvem questões de raça, classe, território e poder.

Com seis faixas, o EP reúne elementos do nu metal, groove metal, rap, trap, pagodão e samba-reggae. O projeto dá continuidade às experiências musicais desenvolvidas por André em trabalhos como XX7, Traprock e Rockerz, agora em uma linguagem própria, conectada à sua trajetória e à vivência musical de Salvador.

Entre as referências estão Sepultura, Rage Against the Machine, Nação Zumbi e BaianaSystem, além de artistas negros como Sister Rosetta Tharpe, Chuck Berry e Little Richard, nomes importantes para a formação do rock.

Foto: Reprodução/ Jailton Souza

“Não se trata de reivindicar a chegada do rock à Bahia, mas de afirmar outras possibilidades de criação a partir de uma tradição que já existe. Quero colocar a distorção das guitarras em diálogo com a força dos nossos tambores, o grave do pagodão, a pulsação do samba-reggae e a insurgência do rap, sem estabelecer hierarquias entre essas linguagens”, afirma André.

Foto: Reprodução/ Jailton Souza

Na sonoridade do EP, as guitarras aparecem com distorção, peso e agressividade, enquanto os ritmos urbanos conduzem as composições. A ideia é criar uma música que mantenha a intensidade sem perder o balanço e que provoque reflexão sem deixar de lado sua dimensão corporal.

O processo de criação contou com a participação de APU Tude, nas faixas “Acerto de Contas” e “Na Maldade”, e RLLXX, em “Acerto de Contas”. A direção musical é assinada por André That Hora e Raonir Braz.

O trabalho também envolveu uma pesquisa de timbres, ritmos, texturas e possibilidades de composição, buscando integrar guitarras, produção eletrônica e percussões afro-baianas na construção das músicas.

A identidade visual do projeto reúne fotografia, artes visuais, design e referências editoriais da cultura punk, especialmente os zines, publicações independentes historicamente utilizadas para compartilhar ideias, experimentações estéticas e narrativas dissidentes.

A direção de arte é assinada por Sista Katia e André That Hora, com identidade visual de Rafael da Rolé 89. Já a produção executiva e a gestão ficam sob responsabilidade de Pyedra Barbosa.

Foto: Reprodução/ Jailton Souza

O lançamento é independente e está vinculado à MPN Records, estrutura criativa sediada na WR Bahia. A proposta é manter a liberdade estética e conceitual do projeto, com a experimentação como elemento central.

Sobre André That Hora

André That Hora é artista, comunicador social, pesquisador, compositor e produtor musical. Ao longo da carreira, lançou os trabalhos XX7 (2021), Traprock (2023) e Rockerz (2024), desenvolvendo uma pesquisa musical que revisita diferentes referências sonoras e questiona convenções de gênero e os limites impostos à presença negra na música alternativa.

Nascido em Salvador, iniciou sua trajetória no hip-hop, integrando a BTB Music, um dos coletivos pioneiros do trap no Brasil. Desde então, construiu uma identidade artística que transita entre rap, trap, hardcore, nu metal, reggae e musicalidades afro-baianas.

O artista pode ser acompanhado nas redes sociais pelo perfil @andrethathora.

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