Acauã Vídero subiu ao pódio nos 100 e 200 metros peito, em Buenos Aires, e também ficou entre os quatro primeiros na prova de águas abertas (Fotos: acervo pessoal).
O nadador baiano Acauã Vídero, de 39 anos, conquistou duas medalhas de prata no Pan-Americano Master de natação, realizado entre os dias 19 e 29 de outubro, em Buenos Aires, na Argentina. Além dos pódios nos 100 e 200 metros peito, ele estabeleceu um novo recorde baiano na categoria 35+ na prova de 200 metros.
O atleta completou a distância em 2min43s71, superando a marca anterior, de 2min55s. “Eu sabia que minha principal chance de pódio era nos 200m peito, e foi dito e certo”, celebrou, dizendo que essa medalha abriu caminhos para outros bons resultados.

A participação também rendeu o quarto lugar nos 50 metros peito, com o tempo de 33s12, e a décima colocação nos 100 metros costas, em 1min17s25. Além disso, Acauã terminou em décimo nos 200 metros medley, com 2min34s21.
Já na prova de 3 km de águas abertas, o baiano ficou na quarta posição, após completar o percurso em 45 minutos na água gelada.
Ao avaliar o desempenho, ele destacou a evolução pessoal: “Melhorei muito todas as minhas marcas, tirando os 100m peito que mantive”.
Segundo o nadador, a preparação mental teve papel importante.
“Quando me perguntavam qual era minha estratégia eu dizia: ganhar de mim mesmo, vencer meu próprio tempo.”
Estratégias x emoção

A experiência internacional, entretanto, começou antes mesmo das disputas. Acauã conta que sentiu a dimensão da conquista ainda durante o voo para a Argentina, ao perceber que representaria Salvador, a Bahia e o Brasil em uma competição continental.
“Eu via meu sonho se realizando a cada minuto que se passava”, recordou.
Além disso, o contato com competidores de diferentes países tornou a viagem ainda mais especial. O baiano destaca a convivência com nadadores argentinos, mexicanos e colombianos como um dos pontos positivos do campeonato.
Já nos momentos que antecediam as provas, o atleta manteve um ritual próprio de concentração. Mesmo com a temperatura de 14°C em Buenos Aires, ele ficava do lado de fora da arena, de short e descalço, olhando para o céu.
“Eu preciso de energia vital para me concentrar para a prova”, explicou. O hábito, segundo ele, ajuda a organizar os pensamentos cerca de 20 minutos antes de entrar na piscina.
Cabeça fria

Nas águas abertas, por outro lado, o desafio exigiu uma adaptação diferente. A organização mudou o local da disputa porque a temperatura da água no percurso original era de 18°C, condição que tornava obrigatório o uso de roupa térmica.
Como Acauã e outros competidores não tinham o equipamento, a prova foi transferida para um lago com água a 20°C. Ainda assim, o frio exigiu atenção à respiração e ao ritmo. “Eu suportei bem, progredi e consegui terminar entre os quatro primeiros”, contou.
Assim, a experiência ensinou ao nadador que enfrentar águas geladas durante 45 minutos exige preparação e estratégia.
Além dos resultados, Acauã fez questão de agradecer às pessoas que contribuíram para viabilizar a viagem, por meio de uma vaquinha ou de outras formas de incentivo.
“Poder retribuir esse carinho e essa confiança da família e dos amigos com os resultados foi maravilhoso”, afirmou.

O atleta também renovou o apoio da Clínica Ativa, instituição que atua no desenvolvimento de pessoas neurodivergentes, incluindo pessoas com Transtorno do Espectro Autista, e oferece acolhimento a famílias e pacientes.
Além disso, a competição reforçou o espírito de longevidade que caracteriza a categoria Master.
Acauã ficou impressionado ao acompanhar atletas de 90 anos entrando na piscina e estabelecendo recordes. Por isso, a cena mostra que a idade não precisa ser um impedimento para continuar competindo. “’Estou muito velho pra isso’ não existe, é disciplina e força de vontade”, ressaltou.
Novas metas
Finalmente, o baiano já tem um novo desafio no calendário: a travessia Mar Grande–Salvador, marcada para 29 de novembro.
A prova também tem um significado afetivo, ligado às lembranças do avô, que costumava perguntar aos nadadores se já haviam completado o percurso. “Se não fez não era profissional de verdade”, recordou Acauã. “Agora vou ser”, completou, aos risos.


