No futebol, a linha entre o herói e o vilão costuma ser tênue, mas para o goleiro João Paulo, do Bahia, a temporada de 2026 tem reservado um roteiro quase inacreditável de azar. Contratado para trazer experiência ao gol tricolor, o arqueiro virou o centro de uma estatística incômoda e de uma coincidência indigesta: em suas principais aparições no ano, ele entrou no “fogo cruzado” com o time vencendo e acabou testemunhando viradas amargas do Esquadrão de Aço.
Até o momento, os números frios de João Paulo na temporada expõem a ferida. Em suas participações mais marcantes saindo do banco de reservas, o goleiro acumula 7 gols sofridos. O grande problema não é apenas a quantidade, mas o cenário catastrófico em que esses gols aconteceram.
O trauma em Belém: do controle ao apagão
A primeira grande peça pregada pelo destino aconteceu no dia 22 de março, contra o Clube do Remo. O Bahia controlava a partida e vencia por 1 a 0, gol do atacante Everaldo. Contudo, aos 45 minutos da primeira etapa, o goleiro titular Ronaldo sofreu uma grave luxação no cotovelo e precisou ser substituído às pressas.
João Paulo foi acionado. O que parecia uma partida controlada transformou-se em um pesadelo na etapa final. Em um apagão coletivo, o Remo quebrou um jejum histórico e atropelou o Tricolor, aplicando uma goleada por 4 a 1. João Paulo acabou sofrendo quatro gols em 45 minutos.
O “Dejà Vu” em Curitiba
Se uma vez já parecia acidente de percurso, a história resolveu se repetir quase dois meses depois. Na noite de ontem (25 de maio), o Bahia enfrentou o Coritiba fora de casa. Novamente, o time vencia, o placar apontava vantagem tricolor após um gol contra de Tiago Cóser no primeiro tempo.
No intervalo, mais uma baixa médica: o goleiro Léo Vieira sentiu e não pôde retornar. João Paulo entrou em campo com a missão de segurar o resultado. Em menos de 25 minutos do segundo tempo, o Coritiba desmantelou a defesa baiana. Em uma falha de afastamento do próprio João Paulo, Lavega virou o jogo, e Breno Lopes fechou a conta. O Bahia sofreu outra dura virada por 3 a 1 (diminuindo o prejuízo com Everaldo no fim).
A mística da camisa 34
Para a crônica esportiva e para o torcedor do Bahia, fica o mistério: como um goleiro de alto nível, com bagagem de sobra no futebol nacional, se vê preso a uma sequência tão ingrata de “herdar” vantagens e ver o castelo desmoronar?
Enquanto a comissão técnica tenta ajustar o sistema defensivo para proteger seus goleiros, João Paulo busca sacudir a poeira e espantar a má sorte. O futebol dá chances de redenção rapidamente, mas, por enquanto, o banco de reservas do Bahia virou o lugar mais desconfortável do campeonato.

