O relógio marca as horas para aquele que pode ser o momento mais marcante da carreira de Luciano Juba. Nesta segunda-feira, enquanto o técnico Carlo Ancelotti se prepara para anunciar os 26 nomes que buscarão o hexa em 2026, em um apartamento em Salvador, ou quem sabe em sua terra natal, Serra Talhada, o coração de um jogador bate no ritmo da expectativa de todo um povo.
Estar na pré-lista de 55 nomes já é um feito. Mas para Juba, o desafio vai além das quatro linhas. O lateral-esquerdo do Bahia carrega nos pés a possibilidade de quebrar um tabu que persiste na Seleção Brasileira: ser o primeiro jogador atuando por um clube do Norte ou Nordeste a ser convocado para uma Copa do Mundo.
Não se trata apenas de números ou estatísticas (que, por sinal, são ótimas, com 11 participações em gols nesta temporada). Trata-se de representatividade. É a afirmação de que o talento no Brasil não precisa cruzar a fronteira do Sudeste para ser visto pelo mundo.
A trajetória de Juba até aqui, do destaque no Sport à afirmação como peça-chave no Esquadrão, é o retrato do trabalho silencioso e da resiliência. Mesmo com o susto de uma dor muscular no último jogo, que trouxe um “frio na barriga” adicional às vésperas da convocação, o lateral mantém o foco no que realmente importa: o reconhecimento de um futebol jogado com entrega.
Às 17h, quando os nomes começarem a ser lidos no Museu do Amanhã, o Nordeste não estará apenas assistindo. Estará em campo, torcendo para que um dos seus, enfim, carimbe o passaporte para o maior palco da Terra. Independentemente do resultado, Juba já provou que a distância entre o sonho e a realidade é encurtada pelo trabalho. Mas, convenhamos, ver o Bahia e o Nordeste no Mundial seria o capítulo final perfeito para essa história.
Foto: Marcello Zambrana/AGIF

