Na mesma semana em que Mark Zuckerberg anunciou o afrouxamento das políticas de combate à desinformação nas redes sociais da Meta, a fake news do imposto no Pix, amplamente disseminada por lideranças de direita, também começou a tomar as redes e causar pânico na população.
A desinformação ganhou proporções enormes e inflou após a viralização de vídeos de lideranças de direita que não havia desmentido que desse conta e o governo, acuado, precisou ceder, revogando a norma da Receita Federal que motivou a fake news – embora tivesse informado, desde o início da disseminação das mentiras, que o Pix não seria taxado em nenhum momento.
Fake news na economia é maior arma da extrema direita
A polarização política nas redes é alimentada pela extrema direita, que utiliza a desinformação em torno da economia para alimentar conspirações e suscitar medos na população. O que parecia ser algo espontâneo e apenas engraçado, uma brincadeira com o ministro da Fazenda sobre a “taxação das blusinhas” em 2024, se revelou algo coordenado e com alto grau de profissionalismo, visto a qualidade dos memes, os referenciais semióticos e culturais e, novamente, o volume. Inclusive, um dos cards contra Fernando Haddad foi exibido em um telão da Times Square.
Para além da “memeficação” do ministro Fernando Haddad enquanto alguém obsessivo por taxar a população brasileira, alguns pontos devem ser levados em conta quanto ao timing da campanha contra o ministro da Fazenda: ela iniciou logo após duas pesquisas revelarem que a avaliação do presidente melhorou em 2024; também tinham por objetivo estabelecer um discurso em torno da figura de Haddad (como um político taxador) e fazer com que a rejeição de sua figura o inviabilize a projetos políticos futuros, por exemplo, as disputas eleitorais de 2026 e 2030.
Porém, dados divulgados pelo Ministério da Fazenda à época mostraram que, ao contrário da campanha “Taxad”, a carga tributária diminuiu no primeiro ano do governo Lula.
Além disso, notícias falsas surgiram em meio à instabilidade do mercado financeiro e tiveram impacto na valorização do dólar entre novembro e dezembro de 2024, que chegou a cotações recordes. Às vésperas do Natal no Brasil, depois de permanecer com a cotação incorreta por boa parte do dia, o valor do dólar foi removido do site de busca do Google. Em nota, a empresa reconheceu o erro e atribuiu a culpa das fontes de dados utilizadas à Morningstar, uma empresa de pesquisas independentes de investimentos.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) fez uma piada em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e repercutiu uma fake news sobre a cotação do dólar, publicada pelo Google. “Presente de Natal do Lule. Mas 2025 será diferente, é apenas especulação dos malvadões do mercado. Confia”, mentiu o parlamentar no X à época.
A ideia de elevar a faixa de isenção do Imposto de Renda para R$ 5 mil, defendida por Lula durante sua campanha e reafirmada pelo ministro Fernando Haddad, ainda não foi encaminhada ao Congresso Nacional. Embora haja uma grande aceitação popular, a implementação da medida enfrenta obstáculos políticos e econômicos, incluindo o equilíbrio fiscal e a obtenção de apoio no Legislativo, que tem a maioria dos deputados e senadores de direita. Durante todo o ano passado, Haddad defendeu tributar super-ricos como um meio de garantir desenvolvimento sustentável no país, mas também enfrentou resistências do Centrão e da direita.
Fonte: Forum
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil


