Cerca de 500 peixes-leão foram retirados do mar por pescadores de Porto Seguro, localizado no extremo sul da Bahia, em apenas um mês. Essa captura faz parte de uma ação que tem o intuito de tentar conter o avanço da espécie, que não é nativa da região e pode causar impactos no ambiente marinho.
O peixe-leão pode até chamar atenção por conta da sua aparência, mas ele se tornou motivo de preocupação. Originário do Indo-Pacífico, ele se espalha com facilidade, cresce rápido e tem uma reprodução intensa. E para completar, encontra poucos predadores naturais nas áreas onde foi introduzido.

Por que essa especie preocupa?
O problema da especie não é apenas por conta da quantidade de peixes. Esse animal é um predador voraz e pode disputar espaço e alimento com espécies que já fazem parte do ecossistema baiano.
Essa espécie também exige cuidado por parte dos humanos. O peixe-leão possui espinhos venenosos, e um contato pode provocar dores, náuseas e até reações mais graves.
Pescador recebe por peixe retirado
- R$ 10 por peixe – Os pescadores recebem o valor por cada peixe-leão entregue à Colônia de Pescadores;
- Parceria – A ação é realizada pela Colônia em conjunto com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Causa Animal (Semac);
- Por mais um mês – A prefeitura informou que o incentivo à captura continuará durante o próximo mês.
O que acontece depois da captura?
Os peixes não são simplesmente descartados. Os exemplares seguem para a Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB), onde serão analisados pelos pesquisadores.
Eles vão levantar informações como peso, tamanho, alimentação, genética, origem e comportamento dos animais. Os dados podem ajudar a entender melhor como a espécie está se espalhando e quais impactos ela pode causar.
Bahia já monitora outras espécies
O peixe-leão não é o único visitante indesejado das águas baianas. Pesquisadores já identificaram 36 espécies exóticas invasoras na Baía de Todos-os-Santos.
Entre elas estão o coral-sol, coral-mole, siri-bidu e o próprio peixe-leão. Além dos impactos ambientais, essas espécies podem prejudicar a pesca artesanal, atividade importante para comunidades que vivem do mar.
Mas como esses animais chegam?
Em muitos casos, a chegada acontece sem planejamento. Algumas espécies podem pegar uma “carona” em estruturas e embarcações que circulam pelo oceano.
Navios: animais podem viajar presos aos cascos das embarcações.
Plataformas: estruturas instaladas no mar também podem transportar espécies.
Correntes marítimas: no caso do peixe-leão, ajudam o animal a se espalhar por diferentes áreas.

