Clubes das Séries A e B do Campeonato Brasileiro negociam com o Governo Federal a criação de uma linha de crédito para enfrentar o elevado endividamento das equipes, em meio às discussões sobre possíveis restrições ao mercado de apostas on-line.
As conversas envolvem o Ministério do Esporte e contam com a participação da CBF, que atua como articuladora, sem previsão de aportar recursos próprios. A principal proposta em discussão é a criação de uma linha de financiamento do BNDES, com taxas de juros inferiores às praticadas normalmente pelos bancos.
A negociação, segundo as reportagens que tratam do tema, começou antes de o debate sobre novas restrições às bets ganhar força. A eventual redução das receitas provenientes do setor, no entanto, aumentou a preocupação dos clubes com a situação financeira.
Recursos seriam destinados às dívidas
A proposta prevê que os recursos sejam utilizados prioritariamente para o pagamento de dívidas dos clubes. O modelo seria diferente de programas de recuperação fiscal anteriores, porque não ficaria restrito a débitos tributários.
Também está em discussão a possibilidade de liberar financiamento para investimentos em infraestrutura, o que permitiria incluir equipes com situação financeira mais equilibrada. O valor total que poderia ser disponibilizado pelo BNDES e os critérios para acesso ao crédito ainda não foram definidos.
Corinthians e Internacional estão entre os principais articuladores das negociações. Os clubes atravessam dificuldades financeiras e estão sob transfer ban da Fifa. O Atlético-MG também participa das discussões, por meio de seu CEO, Pedro Daniel.
O Fair Play Financeiro, que entrou em vigor no futebol brasileiro em 2026, também aparece como parte da argumentação dos clubes para a criação da linha de crédito. A proposta é que o financiamento ocorra dentro de um ambiente com regras de governança e controle financeiro.
Bets aumentam preocupação dos clubes
O debate sobre o financiamento ocorre paralelamente à discussão do Governo Federal sobre mudanças nas regras das apostas on-line. Em 17 de setembro, clubes e federações divulgaram um manifesto em defesa da manutenção do mercado regulado e destacaram a importância dos investimentos das empresas de apostas para o futebol.
Estimativas citadas nas negociações apontam que as casas de apostas movimentam cerca de R$ 1 bilhão por ano em patrocínios aos clubes da Série A. Ao mesmo tempo, levantamentos recentes mostram que a presença das bets nos principais espaços comerciais das camisas já vinha diminuindo: 13 dos 20 clubes da elite tinham uma empresa do setor como patrocinadora máster em 2026, contra 18 em 2025.
O Ministério da Fazenda mantém atualmente um mercado regulado de apostas de quota fixa, com empresas autorizadas pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Desde janeiro de 2025, apenas operadores autorizados podem atuar nacionalmente.
Governo discute mudanças nas apostas
As possíveis alterações nas regras das bets ainda estavam em discussão nesta quinta-feira (24). Reportagem da Reuters informou que o governo avaliava uma medida provisória que poderia ampliar as restrições ao setor, mas que os detalhes técnicos e jurídicos ainda estavam em análise.
Nesse cenário, os clubes avaliam que uma eventual redução do mercado de apostas poderia afetar contratos de patrocínio e, consequentemente, as receitas das equipes.
Até o momento, não há definição sobre o valor da linha de crédito, as condições dos empréstimos ou os critérios para que os clubes tenham acesso aos recursos. As negociações devem continuar entre representantes das equipes, Ministério do Esporte, BNDES e CBF.


