O aumento no número de resgates por afogamento nas praias de Salvador em 2026 acende um alerta para os riscos enfrentados por banhistas, especialmente em períodos de maior movimentação. Em menos de três dias, duas mortes foram registradas no mar da capital baiana, reforçando a preocupação das autoridades com o comportamento da população e as condições naturais do oceano.
No sábado (14), uma mulher morreu após se afogar na praia do Rio Vermelho, nas proximidades da Vila Caramuru, um dos pontos mais movimentados da orla. Já no domingo (15), o vigilante Jackson Araújo dos Santos, de 39 anos, perdeu a vida na praia de Itapuã ao tentar salvar a própria filha, que enfrentava dificuldades na água. A jovem foi resgatada com vida, mas ele acabou sendo arrastado pela correnteza.
De acordo com a Coordenadoria de Salvamento Marítimo (Salvamar), os casos recentes não são isolados e refletem um cenário de aumento nas ocorrências. Somente neste ano, já foram registrados 232 resgates de pessoas em situação de afogamento, número superior ao contabilizado no mesmo período de 2025, quando houve 152 atendimentos.
O coordenador e chefe de planejamento da Salvamar, Kailani Dantas, disse em entrevista à Tribuna da Bahia que o risco no mar é constante ao longo do ano, mas pode ser intensificado por fatores ambientais. “Os perigos estão presentes durante todo o ano, embora haja épocas, como inverno e primavera, em que condições mais severas ocorrem com maior frequência. Ainda assim, fatores como ondas, ventos e a morfologia da praia influenciam diretamente no nível de risco”, explica.
Segundo ele, a chegada recente de um swell à costa baiana contribuiu para o aumento do perigo. “A elevação da altura e da energia das ondas aumenta a velocidade das correntes e, consequentemente, o risco de afogamentos”, afirma.
As estatísticas também mostram que situações em que pessoas entram no mar para tentar salvar outras são recorrentes e perigosas. “Casos como o de Itapuã reforçam o alerta. Não é recomendado que pessoas sem treinamento realizem esse tipo de salvamento. A orientação é acionar os profissionais e, se possível, oferecer um objeto flutuante à vítima, evitando se expor ao risco”, orienta o coordenador.
Entre as áreas com maior número de ocorrências estão as praias de Jaguaribe, Flamengo, Stella Maris e Piatã, trechos conhecidos por apresentarem correntes mais intensas e características que favorecem o surgimento de áreas de risco.
As principais causas de afogamento, segundo a Salvamar, estão relacionadas às correntes de retorno, que são consideradas o principal perigo nas praias, e ao consumo de bebidas alcoólicas associado ao banho de mar. “O álcool reduz a percepção de risco e aumenta a vulnerabilidade dos banhistas”, alerta Dantas.
Outro ponto de atenção é que o mar nem sempre apresenta sinais evidentes de perigo. “A ausência de espuma na superfície pode indicar a presença de corrente de retorno, apesar de transmitir uma falsa sensação de tranquilidade”, explica o especialista. Áreas próximas a pedras e trechos com ondas mais altas também exigem cautela redobrada.
Diante do cenário, a recomendação é que os banhistas procurem sempre locais próximos aos postos de salva-vidas, respeitem a sinalização e evitem entrar no mar após o consumo de álcool. Também é indicado não ultrapassar a altura do umbigo na água e buscar orientação dos profissionais antes do banho.
Fonte: Tribuna da Bahia
Foto: Jefferson Peixoto/Secom PMS


