Após as eleições, Paulo Cavalcanti chama atenção para a capacidade de organização dos movimentos políticos e sociais e defende maior participação dos empresários nas entidades que representam seus interesses
Por: Paulo Cavalcanti
A eleição terminou. Uns comemoram, outros lamentam. Mas quero chamar sua atenção para uma lição importante desse processo eleitoral: vocês observaram a capacidade de organização e mobilização do PT, de setores do movimento sindical e dos movimentos sociais?
Deixemos de lado as ideologias e as preferências partidárias. O que está em questão é a capacidade de organização, o sentimento de pertencimento e a defesa de interesses comuns.
E eu pergunto: por que nós, empresários brasileiros, que produzimos, geramos empregos, pagamos impostos e movimentamos a economia, temos tanta dificuldade de nos mobilizar?
É uma contradição. Sabemos administrar nossas empresas, enfrentar crises e superar dificuldades, mas ainda participamos pouco das decisões que determinam o ambiente em que nossos negócios sobrevivem.
E não é por falta de instituições. Temos a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), com 27 federações estaduais, aproximadamente 2.300 associações comerciais e empresariais e 2 milhões de associados.
Mas sabe qual é uma das perguntas que mais ouvimos?
“O que é que eu vou ganhar se me associar?”
Ora, minha amiga e meu amigo, o associativismo não é apenas um clube de benefícios. É pertencimento, acolhimento, representação e defesa dos interesses que temos em comum.
A associação comercial é a sua casa de representação. A federação amplia essa força no estado e a confederação articula nossas pautas nacionalmente.
Mas atenção: não podemos cobrar dos políticos participação, transparência e renovação se não praticamos esses mesmos princípios dentro das nossas entidades.
Foto: Divulgação
Precisamos participar, fiscalizar, cobrar resultados e escolher conscientemente nossas lideranças. E isso não tem partido. Empresários e trabalhadores podem ter posições políticas diferentes e, ainda assim, compartilhar objetivos de desenvolvimento e bem-estar social.
A cidadania empresarial não termina da porta da empresa para dentro. É justamente da porta para fora que muitas decisões sobre nosso futuro são tomadas.
Por isso, deixo uma provocação: se sabemos trabalhar juntos dentro das nossas empresas, por que temos tanta dificuldade de trabalhar juntos fora delas?
A eleição passou, mas deixou uma lição: nenhum empresário pode caminhar sozinho.
Pense nisso.
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O futuro do Brasil é da nossa conta, e ele começa agora.