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Se os empresários têm tanta força, por que ainda se mobilizam tão pouco?

Publicado em 30/10/2026 às 12:09

Após as eleições, Paulo Cavalcanti chama atenção para a capacidade de organização dos movimentos políticos e sociais e defende maior participação dos empresários nas entidades que representam seus interesses

 

 

Por: Paulo Cavalcanti

 

A eleição terminou. Uns comemoram, outros lamentam. Mas quero chamar sua atenção para uma lição importante desse processo eleitoral: vocês observaram a capacidade de organização e mobilização do PT, de setores do movimento sindical e dos movimentos sociais?

Deixemos de lado as ideologias e as preferências partidárias. O que está em questão é a capacidade de organização, o sentimento de pertencimento e a defesa de interesses comuns.

E eu pergunto: por que nós, empresários brasileiros, que produzimos, geramos empregos, pagamos impostos e movimentamos a economia, temos tanta dificuldade de nos mobilizar?

É uma contradição. Sabemos administrar nossas empresas, enfrentar crises e superar dificuldades, mas ainda participamos pouco das decisões que determinam o ambiente em que nossos negócios sobrevivem.

E não é por falta de instituições. Temos a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), com 27 federações estaduais, aproximadamente 2.300 associações comerciais e empresariais e 2 milhões de associados.

Mas sabe qual é uma das perguntas que mais ouvimos?

“O que é que eu vou ganhar se me associar?”

Ora, minha amiga e meu amigo, o associativismo não é apenas um clube de benefícios. É pertencimento, acolhimento, representação e defesa dos interesses que temos em comum.

A associação comercial é a sua casa de representação. A federação amplia essa força no estado e a confederação articula nossas pautas nacionalmente.

Mas atenção: não podemos cobrar dos políticos participação, transparência e renovação se não praticamos esses mesmos princípios dentro das nossas entidades.

Foto: Divulgação

 

Precisamos participar, fiscalizar, cobrar resultados e escolher conscientemente nossas lideranças. E isso não tem partido. Empresários e trabalhadores podem ter posições políticas diferentes e, ainda assim, compartilhar objetivos de desenvolvimento e bem-estar social.

A cidadania empresarial não termina da porta da empresa para dentro. É justamente da porta para fora que muitas decisões sobre nosso futuro são tomadas.

Por isso, deixo uma provocação: se sabemos trabalhar juntos dentro das nossas empresas, por que temos tanta dificuldade de trabalhar juntos fora delas?

 

A eleição passou, mas deixou uma lição: nenhum empresário pode caminhar sozinho.

 

Pense nisso.

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