Acordo encerra processo histórico nos Estados Unidos e prevê mudanças no funcionamento do Facebook e Instagram para reduzir o uso excessivo entre adolescentes
A Meta fechou um acordo com procuradores de 47 estados e territórios dos Estados Unidos para encerrar um processo histórico que acusa a empresa de desenvolver o Facebook e o Instagram de forma deliberada para estimular o uso excessivo entre adolescentes.
Pelo acordo, a companhia terá de adotar novas restrições ao uso das plataformas por menores de idade e pagar US$ 17 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 87,5 bilhões. O valor representa uma pequena parcela da receita registrada pela Meta em 2025, que chegou a US$ 201 bilhões, aproximadamente R$ 1 trilhão na cotação atual.
A ação judicial acusa a empresa de ter criado mecanismos capazes de estimular comportamentos considerados viciantes entre jovens. Durante as negociações, cálculos da própria Meta, citados pela Bloomberg, apontavam que uma eventual condenação ao fim do processo poderia resultar em um pagamento de até US$ 1,4 trilhão, cerca de R$ 7,2 trilhões.
Restrições ao uso
Além do pagamento, a Meta concordou em implementar mudanças que atingem diretamente um dos pilares de seu modelo de negócios: o engajamento dos usuários, utilizado para aumentar a exposição a anúncios e, consequentemente, a receita publicitária.
Entre as medidas previstas está a limitação do uso do Facebook e Instagram entre meia-noite e 6h. A empresa também deverá silenciar as notificações entre 22h e 7h, em uma tentativa de reduzir interrupções durante o período de sono.
Outra mudança será o fim da chamada rolagem infinita, mecanismo que permite ao usuário continuar consumindo conteúdo sem chegar a um ponto definido de encerramento.
O acordo ainda estabelece um limite diário de duas horas de uso para o Facebook e o Instagram.
As medidas representam uma mudança significativa na forma como as plataformas são utilizadas por adolescentes e colocam sob pressão um modelo construído justamente para manter o usuário conectado pelo maior tempo possível.
Foto: Reuters/Dado Ruvic

