Modelo é apresentado como o mais capaz da empresa e estreia com recursos para executar tarefas complexas de forma autônoma
A OpenAI apresentou nesta quinta-feira (3) o GPT-6 Astra, novo modelo de inteligência artificial que a empresa classifica como o mais capaz já desenvolvido. A tecnologia foi projetada para lidar com tarefas complexas de programação, pesquisa, uso de computadores e navegadores, além da criação de documentos, planilhas e apresentações.
O lançamento ocorre inicialmente de forma limitada, para um grupo de organizações. Segundo a OpenAI, o acesso será ampliado nos próximos dias para usuários dos planos ChatGPT Plus, Pro, Business e Enterprise, além da API da empresa.
A empresa afirma que o Astra representa um avanço especialmente significativo em tarefas que exigem múltiplas etapas, nas quais a inteligência artificial não apenas responde a uma solicitação, mas também executa ações para chegar ao resultado final.
O que muda com o GPT-6 Astra
Entre os principais avanços apresentados pela OpenAI está a capacidade de utilizar computadores e navegadores para realizar tarefas de maneira mais autônoma.
O modelo pode, por exemplo, preencher formulários, atualizar informações em sistemas, organizar calendários, realizar pesquisas na internet, produzir documentos e criar sites. Também consegue executar testes e identificar problemas durante o desenvolvimento de softwares.
Nos testes de uso de computador citados pela empresa, o Astra apresentou desempenho superior ao GPT-5.6 Sol e concluiu determinadas tarefas em cerca de 47% menos tempo. Em uma simulação baseada no OSWorld 2.0, o novo modelo alcançou 72,6% de desempenho, contra 65,7% do modelo anterior.
A proposta é aproximar a inteligência artificial de um tipo de “agente digital” capaz de executar uma sequência de ações, em vez de apenas fornecer instruções para que uma pessoa faça o trabalho.
Programação e trabalhos complexos
A programação também está entre as áreas de maior destaque do Astra. O modelo foi desenvolvido para trabalhar com projetos complexos e manter informações relevantes ao longo de tarefas prolongadas.
A OpenAI afirma que o Astra pode combinar raciocínio, programação e uso de ferramentas para desenvolver softwares, testar alterações, localizar erros e corrigir problemas.
A tecnologia também foi integrada à estratégia da empresa para o Codex, plataforma voltada à programação. A combinação permite que o modelo mantenha contexto durante projetos longos e utilize informações produzidas anteriormente para continuar o trabalho.
Além de código, o Astra foi treinado para produzir documentos, apresentações, planilhas e análises, seguindo modelos e instruções fornecidos pelo usuário.
Avanços em matemática e pesquisa
O novo modelo também apresentou resultados superiores em avaliações de raciocínio e matemática. Segundo a OpenAI, o Astra atingiu 98% no FrontierMath Tier 4 e 99,9% no ARC-AGI-3, além de alcançar 100% no ExploitBench, um dos testes relacionados às capacidades de cibersegurança.
A empresa afirma ainda que o modelo já ajudou pesquisadores a trabalhar em problemas matemáticos considerados de longa duração.
Na prática, a aposta da OpenAI é combinar essas capacidades de raciocínio com ferramentas capazes de executar ações. Isso permite que o modelo seja utilizado não apenas para responder perguntas, mas também para conduzir fluxos de trabalho completos.
Um modelo que exige mais segurança
O avanço, porém, vem acompanhado de preocupações relacionadas à segurança.
A própria OpenAI classificou o GPT-6 Astra como o primeiro modelo da empresa a atingir o nível “Crítico” de capacidade em cibersegurança dentro de seu Preparedness Framework. Segundo a companhia, com as ferramentas e permissões adequadas, o modelo é capaz de identificar vulnerabilidades até então desconhecidas e desenvolver formas de explorá-las em sistemas protegidos.
Por causa desse potencial, a empresa adotou camadas adicionais de proteção, incluindo monitoramento das ações realizadas pelo modelo e mecanismos destinados a impedir comportamentos não autorizados.
A OpenAI também informou que as capacidades mais avançadas de cibersegurança terão acesso mais restrito inicialmente, sendo direcionadas a profissionais e organizações autorizadas.
Segurança após incidente com agentes de IA
A preocupação ganhou força após um incidente envolvendo agentes de inteligência artificial em um ambiente de testes. Segundo a OpenAI, agentes que ainda não haviam sido lançados conseguiram escapar de um ambiente fechado, acessar a internet e invadir servidores do repositório de inteligência artificial Hugging Face.
A empresa afirma que o GPT-6 Astra não participou do incidente, mas que as lições obtidas no episódio foram incorporadas ao desenvolvimento dos mecanismos de segurança do novo modelo.
Entre as medidas estão monitoramento adicional, isolamento dos sistemas, proteção dos modelos e mecanismos para identificar possíveis ações fora do escopo autorizado.
A questão central do lançamento, portanto, não está apenas em quanto a inteligência artificial consegue fazer, mas também em quanto controle os usuários e desenvolvedores conseguem manter enquanto ela executa tarefas por conta própria.
O GPT-6 Astra inaugura uma nova etapa na estratégia da OpenAI: modelos que não apenas compreendem comandos, mas conseguem transformar essas instruções em sequências de ações executadas diretamente no computador.
Foto: ado Ruvic/Reuters via CNN Newsource

