Por Valéria Casseb
A palavra ansiedade vem do grego anshein e significa oprimir, sufocar. Em latim, vem de anxia, que significa estreito. Em “outras palavras”, são emoções que indicam aflição, angústia e sensação de sufocamento.
De forma simples, podemos definir ansiedade como uma resposta emocional do corpo e que nos coloca em estado de alerta, tendo relação direta com o medo, embora ambos não sejam a mesma coisa.
O medo é uma resposta a situações de perigo, manifestada pelo comportamento de luta ou fuga, algo que nos serviu como mecanismo de evolução da nossa espécie. A pergunta que fica é: passados milhões de anos desde nossos primeiros antepassados, faz sentido continuarmos na sobrevivência? Pois bem….a ansiedade fora de controle tem nos levado para um estado quase que primitivo.
Diante de uma possível ameaça, quem orquestra todas essas reações é o nosso sistema nervoso autônomo que libera hormônios que provocam respostas fisiológicas como suor, aceleração cardíaca, tremores etc. Quando há um desequilíbrio desse sistema, ou seja, quando há mais liberação de cortisol no sangue ou uma disfunção química no cérebro, por exemplo, podemos desenvolver transtornos de ansiedade. Neste caso, as respostas fisiológicas independem dos estímulos externos, como se o nosso corpo se antecipasse a situações de perigo sem que o perigo de fato existisse. Dependendo da frequência e da intensidade com que as reações aparecem, é importante buscar ajuda de um profissional.
Um país de ansiosos
Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) cerca de 18,6 milhões de brasileiros sofrem de ansiedade, o que nos coloca no topo do ranking mundial. As incertezas em relação ao futuro, a redução da renda familiar, os términos de relacionamentos ou mesmo o fato de enfrentar horas trânsito podem ser agentes estressores. Ambientes fechados e superlotados – como metrôs – podem acentuar a sensação de “sufocamento”, provocando repostas do corpo.
Vale lembrar que vivemos num mundo de estímulos. O uso excessivo do celular, o excesso de propagandas e informações têm bagunçado nossas percepções nos deixado constantemente em estado de alerta. É preciso estar atento aos sinais do corpo e da mente, afinal a ansiedade que persiste deve ser investigada e tratada, pois as consequências físicas e emocionais podem ser graves.
Sair do piloto automático é o primeiro passo para observar os gatilhos do stress e ansiedade. Somente no estado de presença conseguimos perceber o que é real e o que é ilusão, o que é ameaça e o que não é.


