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Cinco comportamentos que podem indicar TEA em adultos

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No mês dedicado à conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a discussão se amplia para além da infância e lança luz sobre os sinais da condição em adultos — um público que, com frequência, passa anos sem diagnóstico. Dados do IBGE indicam que cerca de 1,2% dos brasileiros têm TEA.

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De acordo com o neurologista Edson Issamu Yokoo, da Rede de Hospitais São Camilo, ao contrário do que ocorre na infância, quando os sinais são mais evidentes, adultos no espectro costumam desenvolver mecanismos de adaptação social, conhecidos como masking.

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“O autismo não desaparece, ele se adapta. O adulto autista emprega grande esforço mental para se adequar a padrões neurotípicos, o que pode resultar em exaustão crônica e, frequentemente, em diagnósticos equivocados, como ansiedade ou depressão”, afirma.

Nesse contexto, os sinais tendem a se manifestar de forma mais sutil, muitas vezes associados ao desgaste emocional e cognitivo provocado pela tentativa contínua de adaptação. As dificuldades aparecem, sobretudo, na organização da rotina e no funcionamento executivo.

Cinco sinais que merecem atenção:

Exaustão após interações sociais

O esforço para manter comportamentos socialmente esperados pode gerar esgotamento intenso, mesmo após situações breves. Em alguns casos, há necessidade de isolamento (shutdown) ou episódios de sobrecarga emocional (meltdown).

Dificuldade de organização e autonomia

Planejar, priorizar e executar tarefas do dia a dia pode ser desafiador. A chamada “paralisia da tarefa” — dificuldade de iniciar ou concluir atividades — é recorrente.

Rigidez cognitiva

A necessidade de previsibilidade é acentuada. Mudanças inesperadas e imprevistos podem provocar estresse, ansiedade e reações emocionais mais intensas.

Comportamentos repetitivos e sensoriais

O stimming permanece na vida adulta de forma mais discreta, como mexer objetos ou balançar o pé. Alterações sensoriais a estímulos como luz, som e textura também impactam o cotidiano.

Dificuldade na leitura de sinais sociais

Apesar do desenvolvimento de estratégias cognitivas, pode haver dificuldade em interpretar nuances emocionais e sinais não verbais, o que pode gerar ruídos na comunicação e nos relacionamentos.

Para muitos adultos, o diagnóstico chega apenas após anos de sofrimento emocional, episódios de esgotamento ou até depois da identificação do transtorno em filhos. Nesses casos, o reconhecimento do TEA não representa uma cura, mas uma forma de compreensão.

“O diagnóstico oferece validação. Ele ajuda a entender que essas dificuldades não são falhas individuais, mas parte de uma condição neurológica que demanda estratégias específicas”, conclui o especialista.

Bahia

Com mais de 144 mil pessoas diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a Bahia passa a ter um panorama mais detalhado sobre essa parcela da população, conforme dados do Censo Demográfico 2022. As informações ajudam a dimensionar a presença do autismo no estado e evidenciam a importância do diagnóstico precoce, além do fortalecimento de políticas públicas e redes de apoio.

Pela primeira vez, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística incluiu dados específicos sobre o TEA em seu levantamento nacional. Na Bahia, foram contabilizadas 144.928 pessoas com diagnóstico, o equivalente a 1,0% da população. Em números absolutos, o estado aparece na quarta posição no país, atrás de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.

O levantamento também aponta que o autismo está distribuído em todo o território baiano, com registros nos 417 municípios. A Salvador lidera em número de casos, com 28.915 pessoas diagnosticadas. Na sequência, aparecem Feira de Santana e Vitória da Conquista, também com destaque em números absolutos.

 

Porta Muita Informação 

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