Agosto Dourado reforça importância da orientação na gestação e do apoio após o parto
O leite materno pode ser um importante aliado na saúde dos recém-nascidos, especialmente dos prematuros. Além de alimentar, ele oferece proteção imunológica, ajuda no desenvolvimento e fortalece o vínculo entre mãe e bebê. É esse cuidado que o Agosto Dourado visa destacar, essa campanha simboliza a importância do aleitamento materno.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef recomendam que a amamentação comece na primeira hora de vida, seja exclusiva até os seis meses e continue, junto com outros alimentos, até os dois anos ou mais. Porém, os índices ainda estão abaixo da meta: no Brasil, 45,8% dos bebês menores de seis meses recebem apenas leite materno. Na região Nordeste, o percentual é de 39%.
Leite materno como cuidado neonatal
Para aqueles bebês prematuros ou de baixo peso, o leite materno vai além da alimentação. Segundo a neonatologista Renata Pitangueiras, do Hospital Mater Dei Salvador, o alimento ajuda na proteção contra infecções, no amadurecimento do intestino e no desenvolvimento do bebê.
“Para o prematuro ou recém-nascido de baixo peso, o leite materno não é apenas alimentação. Ele integra o cuidado neonatal, porque oferece componentes imunológicos e favorece o amadurecimento do intestino, justamente em uma fase de grande vulnerabilidade”, explica.
Quando o recém-nascido ainda não consegue mamar diretamente, a mãe pode ser orientada a retirar o leite para que ele seja oferecido conforme a necessidade clínica. O contato pele a pele e o método canguru também contribuem para fortalecer o vínculo e estimular a produção.
Nos casos em que o leite da própria mãe não está disponível, os bancos de leite humano têm papel fundamental. Na Bahia, milhares de recém-nascidos já foram beneficiados pelo serviço, que auxilia principalmente bebês internados e de baixo peso.

Preparação começa na gestação
Apesar de ser um processo natural, a amamentação também envolve aprendizado e adaptação. Por isso, especialistas destacam que a preparação deve começar durante o pré-natal, com informações sobre pega correta, dificuldades comuns e formas de buscar ajuda.
O obstetra Francisco Mota, do Hospital Mater Dei Emec, em Feira de Santana, explica que orientar a gestante antes do parto pode fazer diferença no início da amamentação.
“Preparar a mulher não significa submeter as mamas a exercícios, massagens ou exposição ao sol. O mais importante é oferecer conhecimento, acolher dúvidas e construir expectativas realistas sobre o início da amamentação”, afirma.
Segundo o médico, também é fundamental que a mãe saiba onde procurar apoio diante de dificuldades.
“A gestante precisa saber a quem recorrer diante de dor, fissuras, ingurgitamento ou insegurança sobre a quantidade de leite. Quanto mais cedo essas dificuldades forem avaliadas, menor o risco de uma interrupção que poderia ser evitada”, destaca.
Os especialistas reforçam ainda que a amamentação não deve ser tratada como uma responsabilidade exclusiva da mulher. O apoio da família, da equipe de saúde e da rede de suporte é essencial para que esse processo aconteça com mais segurança e acolhimento.
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