O Hospital de Brotas, em Salvador, passou a contar com uma equipe multiprofissional especializada no processo de doação de órgãos e tecidos para transplantes. A habilitação permite que a unidade organize e acompanhe os procedimentos envolvendo pacientes com diagnóstico de morte encefálica, ampliando a participação do hospital na rede de doação da Bahia.
Com a novidade, o serviço também passa a estar disponível para os beneficiários do Planserv, sistema de assistência à saúde dos servidores públicos estaduais.
Administrado pelo Instituto Nacional de Tecnologia e Saúde (INTS), o Hospital de Brotas foi o primeiro hospital privado a atender exclusivamente os usuários do Planserv, que reúne mais de 500 mil beneficiários.
Como funciona a equipe de doação?
A habilitação da Equipe de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (e-DOT) foi concedida em setembro deste ano, após acompanhamento da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), por meio da Coordenação do Sistema Estadual de Transplantes (COSET).
O processo inclui a análise dos documentos apresentados pela unidade hospitalar e a capacitação dos profissionais que vão atuar nas etapas da doação, seguindo as regras do Sistema Nacional de Transplantes.

A equipe é responsável por identificar possíveis doadores, acompanhar o diagnóstico de morte encefálica, manter contato com as centrais de transplantes e prestar orientações e acolhimento aos familiares.
No Hospital de Brotas, o grupo é formado por médicos, enfermeiros, psicólogos e assistentes sociais, que trabalham em conjunto para garantir segurança e assistência às famílias.
Papel da enfermagem e acolhimento familiar
Os profissionais de enfermagem participam de diferentes momentos do processo, desde a identificação de possíveis doadores e as notificações aos órgãos responsáveis até o acompanhamento do diagnóstico de morte encefálica.
Também cabe à equipe orientar os familiares sobre as etapas da doação e oferecer apoio emocional, respeitando o sofrimento, as crenças e o tempo de cada família.
Outro trabalho importante é colaborar com a entrevista familiar, na qual é solicitada a autorização para a doação. No Brasil, a decisão depende do consentimento dos familiares.
Brasil bate recorde de transplantes em 2025
O país registrou 31.745 transplantes de órgãos, córneas e tecidos em 2025, alcançando um recorde histórico, segundo dados do Ministério da Saúde.
No mesmo período, foram contabilizados 4.335 doadores efetivos, conforme o Registro Brasileiro de Transplantes, da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO).
Entre os órgãos sólidos, o rim liderou o número de procedimentos, com 6.697 transplantes.
Apesar dos resultados, a recusa familiar ainda representa um obstáculo para ampliar as doações. Em 2025, 45% das entrevistas com familiares de potenciais doadores terminaram sem autorização, segundo a ABTO.
Como manifestar o desejo de ser doador?
No Brasil, mesmo que uma pessoa tenha declarado em vida que deseja doar seus órgãos, a autorização da família continua sendo obrigatória após a morte. Por isso, conversar com os familiares sobre essa vontade é fundamental.
Uma alternativa para registrar essa intenção é a Autorização Eletrônica de Doação de Órgãos (AEDO), disponibilizada gratuitamente pelo Colégio Notarial do Brasil em parceria com o Sistema Nacional de Transplantes.

O documento pode ser solicitado pela internet, por meio do site da AEDO ou do sistema e-Notariado, com identificação e assinatura digital. O registro formaliza a manifestação de vontade, mas não substitui a autorização dos familiares.
É importante lembrar que nem toda pessoa com diagnóstico de morte encefálica pode se tornar doadora. A possibilidade depende de avaliação médica, que considera o histórico de saúde e as condições dos órgãos e tecidos.
Um único doador com condições adequadas pode beneficiar até oito pessoas, ajudando a salvar vidas por meio dos transplantes.


