Ciência e Saúde

Setembro Amarelo: falar é prevenir

Foto: Reprodução/ Luciana Bahia
Publicado em 09/09/2026 às 10:00

psicóloga Bianca Reis destaca importância de falar sobre prevenção ao suicídio

 

Falar sobre suicídio ainda é um tabu, mas abordar o tema de forma responsável é uma das estratégias de prevenção. É justamente esse o objetivo do Setembro Amarelo, campanha que busca ampliar a conscientização sobre o suicídio e incentivar a busca por ajuda.

Os números reforçam a importância do debate. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), entre 14 mil e 15 mil brasileiros morrem por suicídio todos os anos. No mundo, são cerca de 800 mil mortes anuais.

Setembro amarelo — Foto: Reprodução/ Freepik

Entre adolescentes e jovens, o cenário também preocupa. De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), 18.157 pessoas de 10 a 24 anos morreram por suicídio nas Américas em 2021. O crescimento foi ainda mais expressivo entre os jovens de 10 a 14 anos.

Falar não incentiva

A psicóloga Bianca Reis explica que ainda existe o mito de que conversar sobre suicídio pode estimular uma pessoa a tirar a própria vida.

Foto: Reprodução/ Luciana Bahia

“Durante muito tempo se acreditou que falar de suicídio levaria as pessoas a pensar em tirar a própria vida, o que é, na verdade, um grande mito. Quando temos um problema de saúde, precisamos falar sobre ele.”

Segundo a especialista, esse tema também precisa ser discutido quando envolve crianças. Os problemas relacionados à saúde mental podem surgir em diferentes fases da vida e não devem ser ignorados.

Entre os fatores que podem contribuir para o sofrimento estão:

  • Conflitos familiares;
  • Agressões físicas e abusos psicológicos;
  • Bullying e homofobia;
  • Cobranças excessivas relacionadas aos estudos;
  • Separação dos pais;
  • Problemas financeiros;
  • Isolamento social;
  • Uso de álcool e outras drogas.

Você sabe como ajudar?

O acolhimento de familiares, amigos e pessoas próximas pode fazer diferença. Manter um diálogo aberto, ouvir sem julgamentos, além de levar a sério falas relacionadas à vontade de morrer são atitudes importantes.

“Tratá-las como incapazes de lidar com os próprios problemas, fracas, covardes ou de outra forma pejorativa ou preconceituosa não colabora. É necessária uma comunicação empática, compreensiva e solidária com o sofrimento do outro”, alerta Bianca.

A especialista ressalta que carinho e apoio são importantes, mas não substituem o acompanhamento profissional.

Onde buscar ajuda

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito através do telefone 188, além de atendimento por chat e e-mail. O serviço funciona de forma sigilosa, e não é necessário se identificar.

Entenda o porquê de ser Setembro Amarelo

A cor da campanha está relacionada à história de um adolescente dos Estados Unidos que morreu por suicídio em 1994. Após a sua morte, familiares e amigos distribuíram fitas amarelas como forma de homenageá-lo e chamar atenção para a prevenção do suicídio.

Sobre Bianca Reis

Publicidade

Bianca Reis é psicóloga, psicoterapeuta, palestrante e facilitadora de grupos. Mestra em Família e especialista em Psicoterapia Junguiana, atua há mais de 12 anos na área clínica, com atendimento a questões relacionadas à infância, relacionamentos, ansiedade, depressão, sexualidade, gênero e outras demandas psicológicas.

Publicidade

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *