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Com 190 anos, associação negra mais antiga do país faz campanha virtual para produção de documentário

Sociedade Protetora dos Desvalidos foi fundada em 1832 em Salvador.

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A Sociedade Protetora dos Desvalidos, associação civil negra mais antiga do país, testemunhou todas as grandes lutas dos povos negros em dois séculos. De sua sede no Pelourinho, em Salvador, os membros da sociedade presenciaram a Sabinada, a Revolta dos Malês, a Guerra de Canudos, a escravidão e a abolição. São 190 anos de história, que vai ser contada, em breve, em um documentário.

A entidade, fundada em 1832, atuou como caixa de empréstimos e penhores para pessoas negras, comprando cartas de alforria, apoiando na doença, na invalidez, na velhice e ainda na garantia de um funeral digno. O objetivo, de acordo com os membros, era garantir a sobrevivência de gerações de africanos e  afrodescendentes no Brasil.

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“Nós seguimos o legado de Manoel Victor Serra, que foi o líder fundador da Casa — ele que teve visão estratégica, futurística. E nós não temos recursos financeiros do governo, vivemos dos nossos alugueis, deixados por essa ancestralidade, e da contribuição do pagamento dos associados, que é de apenas R$ 10 mensais. Mesmo assim, desenvolvemos várias ações sociais, seguindo o legado”, afirma a atual presidente da sociedade, Regina Rocha, que é a segunda mulher a assumir o cargo.

Para realizar o documentário, uma campanha virtual de financiamento coletivo está sendo realizada. “A Sociedade Protetora dos Desvalidos – SPD, a mais antiga associação civil negra do Brasil, está completando 190 anos e merece ganhar um FILME de presente”, diz o texto no portal Benfeitoria. Até o momento, apenas R$ 17 mil da meta de R$ 300 mil foram arrecadados.

O diretor do filme, Antonio Olavo, fala sobre a importância da homenagem à entidade. “A SPD teve função de apaziguar a dor da população negra não somente durante a escravidão, como pós abolição, apoiou na doença, na prisão, na fome… todos os desvalidos. [O documentário] busca homenagear a história de uma instituição importantíssima para o povo negro, não somente na Bahia, mas no Brasil e no mundo”, diz.

De acordo com Olavo, lembrar da SPD é também mostrar que o povo negro tem memória. “No Brasil tem memória da elite branca, é a história deles que é reverenciada. A gente quer mostrar que existe uma outra memória, memória do povo negro”, afirma.

E essa memória não é apenas de sofrimento. “A SPD foi testemunha da Frente Negra Brasileira, da Fundação do Ilê Aiyê, fundação do Olodum, da conquista das políticas de cotas. É uma associação que está ativa, com funcionamento ininterrupto, uma sede maravilhosa. Como não divulgar essa memória?”, conclui Olavo.

SERVIÇO:

RETA FINAL: Campanha de Financiamento Coletivo SDP 190 ANOS
Link da Campanha no site Benfeitoria: https://benfeitoria.com/projeto/spd190anos
Instagram: @spd_sociedadeprotetora
Facebook: @SPDesvalidos
e-mail: [email protected]

 

Redação Metro1

Foto: Divulgação

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