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Jejum intermitente entra no radar de quem deseja engravidar

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Em meio ao crescente interesse por práticas de bem-estar e longevidade, o jejum intermitente deixou de ser apenas uma estratégia alimentar voltada para emagrecimento e passou a ocupar espaço em discussões mais amplas, inclusive quando o assunto é fertilidade. Cada vez mais presente na rotina de quem busca equilíbrio metabólico, o método levanta uma questão importante: até que ponto a restrição alimentar pode influenciar o desejo de ser pai ou mãe? A resposta, segundo especialistas, ainda não é simples e passa, necessariamente, por uma análise cuidadosa do funcionamento do organismo.

Isso porque o jejum intermitente, caracterizado pela alternância entre períodos de alimentação e de abstinência, provoca uma série de mudanças hormonais e metabólicas no corpo. Entre os efeitos mais conhecidos estão a redução dos níveis de insulina, que pode melhorar a sensibilidade ao hormônio e favorecer o controle glicêmico, e o aumento da produção do hormônio do crescimento, associado à regeneração celular. Por outro lado, também pode haver elevação do cortisol, conhecido como hormônio do estresse, o que, em algumas pessoas, desencadeia efeitos como irritabilidade, fadiga e alterações no sono. “Estamos falando de uma prática que mexe diretamente com hormônios importantes para o funcionamento do corpo como um todo. Quando o foco é fertilidade, esse impacto precisa ser observado com ainda mais cuidado”, explica a médica Isa Rocha, do IVI Salvador.

No campo da fertilidade, o cenário exige atenção. Em homens, alguns estudos indicam que o jejum intermitente pode contribuir para a melhora de parâmetros metabólicos e até favorecer a produção de testosterona, especialmente em casos de pacientes com sobrepeso, além de possíveis impactos positivos na qualidade do sêmen, quando associado a mudanças consistentes no estilo de vida. No entanto, o excesso pode inverter esse efeito: jejuns prolongados ou muito frequentes tendem a reduzir os níveis hormonais, afetando não só a energia e a performance física, como também a saúde reprodutiva.

Entre as mulheres, a resposta do organismo costuma ser mais sensível. A prática, sobretudo quando mais restritiva, pode interferir diretamente no eixo hormonal responsável pela ovulação, provocando alterações em hormônios como estrogênio, progesterona, LH e FSH. Na prática, isso pode se traduzir em ciclos menstruais irregulares ou até na ausência deles. Além disso, o corpo pode interpretar o jejum como um sinal de estresse e, diante disso, priorizar funções essenciais à sobrevivência, deixando em segundo plano processos como a reprodução. “Se o corpo entende que está sob algum tipo de ameaça ou escassez, ele naturalmente prioriza a sobrevivência. A ovulação pode ser impactada nesse processo”, destaca a especialista.

Há, ainda, contextos específicos que exigem uma análise mais criteriosa. Em mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP), por exemplo, o jejum pode trazer benefícios quando bem orientado, especialmente por ajudar na redução da resistência à insulina, um dos fatores associados à condição. Mas o efeito não é universal: dependendo da intensidade e da forma como é conduzido, a prática pode agravar desequilíbrios hormonais já existentes. Isso vale também para pessoas com alterações na tireoide, já que o jejum pode interferir no funcionamento da glândula, impactando diretamente o ciclo menstrual e a ovulação.

Diante desse cenário, a principal recomendação dos especialistas é clara: mais do que seguir tendências, é fundamental considerar a individualidade de cada organismo e buscar acompanhamento adequado antes de adotar qualquer estratégia alimentar restritiva, especialmente quando há o desejo de engravidar.

 

Fonte: Tribuna da Bahia

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Foto: Divulgação

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