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QR Code microscópico entra no Guinness e promete guardar dados por séculos

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Bilhões de pessoas no mundo apontam o celular para um QR Code todos os dias — em embalagens, cardápios, ingressos — sem pensar muito no que acontece naquele instante. O código é familiar, mas o mecanismo por trás dele, não.

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Evolução do tradicional código de barras, o QR Code armazena dados em uma grade de pequenos quadrados pretos e brancos. A disposição matemática desses pontos cria combinações únicas: cada arranjo possível representa um caractere ou instrução diferente. Três quadrados maiores nos cantos dizem ao leitor onde o código começa, em que orientação está e qual é a escala.

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Legível mesmo com até 30% de sua área danificada, esse código bidimensional permite leitura por contraste. A câmera do smartphone detecta a diferença entre os quadrados escuros e claros, converte esse padrão em zeros e uns, e o software decifra a sequência em frações de segundo.

Levando esse conceito ao extremo, pesquisadores da Universidade Técnica de Viena (TU Wien) e da empresa Cerabyte criaram o menor QR Code do mundo. Medindo apenas 1,977 micrômetros quadrados, essa estrutura inovadora é menor que a maioria das bactérias e já está no Guinness.

Estabelecido na Áustria em dezembro de 2025, o recorde desafia até mesmo os limites da visão humana. O código é tão minúsculo, que se torna completamente invisível sob luz normal e microscópios ópticos, exigindo um microscópio eletrônico de varredura (MEV) para ser lido.

 

Esculpindo uma microestrutura milenar

Para atingir a façanha, a equipe utilizou feixes de íons focalizados, um tipo de equipamento que dispara íons (átomos com carga elétrica, geralmente de gálio) com extrema precisão sobre uma superfície. Como um bisturi subatômico, o impacto remove material átomo por átomo, e esculpe o padrão do QR Code.

O material usado para gravar o código foi determinante para garantir que os dados durem séculos. Por isso, a escolha recaiu sobre o nitreto de cromo, uma cerâmica extraordinariamente estável usada em revestimentos industriais de alta performance, como ferramentas de corte.

Como a luz visível oscila entre 400 e 700 nanômetros, um pixel de 49 nm é menor do que o menor traço de luz existente. O código se torna, portanto, totalmente invisível a qualquer microscópio óptico — mas observável pelo MEV, que não usa luz, e sim elétrons acelerados.

Em um comunicado, o professor Paul Mayrhofer, da TU Wien, explica que o principal desafio não foi criar um padrão microscópico, mas sim garantir que os átomos individuais não se movessem com o tempo. “Criamos um QR Code pequeno, mas estável e repetidamente legível”.

 

Um recorde mundial com pegada ambiental

Além da confirmação pelo Guinness World Records, a tecnologia tem potencial para transformar a densidade de armazenamento de dados. Se aplicada em larga escala, seria possível guardar mais de dois terabytes de informações na superfície de uma simples folha de papel A4.

Mas talvez o atributo mais notável seja o da durabilidade. Diferente dos dispositivos convencionais — que perdem dados em poucos anos e exigem manutenções constantes —, a cerâmica preserva informações por séculos ou até milênios, sem consumir energia.

Para o pesquisador da TU-Wien, Alexander Kirnbauer, “com os suportes de armazenamento cerâmicos, estamos seguindo uma abordagem semelhante à das culturas antigas, cujas inscrições ainda podemos ler hoje”, afirma ele em um comunicado de imprensa.

Há ainda um ganho ambiental significativo. Enquanto os modernos data centers exigem eletricidade e refrigeração contínuas, os suportes cerâmicos preservam dados sem consumir energia alguma — o que os torna uma alternativa concreta para reduzir a pegada de carbono do armazenamento digital.

 

Fonte: CNN Brasil

Foto: TU Wien/Divulgação

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