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CEO da Riachuelo prevê demissões e avalia cross-border após fim da taxa

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A Riachuelo admite a possibilidade de demitir trabalhadores se o governo mantiver a revogação da chamada taxa das blusinhas, a alíquota de 20% sobre compras internacionais até US$ 50. A empresa afirma que a decisão criada uma assimetria tributária insustentável, prejudicando a competitividade do varejo nacional.

A companhia, que atua com cerca de 450 lojas e emprega ~33 mil pessoas, vê impacto direto na operação. No primeiro trimestre, a receita líquida ficou em R$ 2,3 bilhões, alta de 6,7% frente ao mesmo período do ano anterior. O cenário envolve o fim da cobrança, assinado recentemente pelo presidente, após pressão do setor.

A entrevista exclusiva ao NeoFeed mostra que o executivo teme que a mudança aumenta a disparidade entre varejo nacional e plataformas internacionais, especialmente as asiáticas. Em caso de continuidade da decisão, a Riachuelo diz que poderá iniciar demissões e reestruturar operações.

 

Desdobramentos e alternativas

Farber aponta que a empresa pode adotar o formato cross-border, esperado por analistas como alternativa competitiva. A estratégia envolveria abrir uma operação no exterior para enviar pequenos pacotes ao Brasil com carga tributária menor, reduzindo custos, mas com risco de desmobilizar operações no Brasil.

O CEO critica a justificativa de democratizar o consumo, ressaltando a necessidade de equilíbrio tributário. Ele afirma que, se a ideia é ampliar o acesso, o governo deveria reduzir impostos de forma abrangente, não beneficiar apenas parte do mercado.

 

Contexto setorial

O fim da taxa provocou queda nos papéis de varejistas na B3 no dia seguinte. Relatórios apontam que a medida pode ampliar a diferença de preços entre varejo nacional e sites estrangeiros. A Riachuelo registra queda de 11% no valor de mercado em 2026, chegando a R$ 4,2 bilhões.

Farber reforça que a decisão é tomada sem diálogo, e que a empresa, apesar de manter o compromisso com o Brasil, pode precisar se adaptar para sobreviver caso o cenário tributário permaneça. A direção afirma estar aberta ao diálogo com o governo e entidades setoriais.

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