Esportes

A semifinal que muda o tamanho do Bahia no futebol feminino brasileiro

Bahia está na semifinal do Campeonato Brasileiro (Foto: Letícia Martins/ EC Bahia)
Publicado em 11/09/2026 às 20:08

Campanha histórica das Mulheres de Aço representa avanço para o clube e amplia a presença nordestina na modalidade no país (Foto: Letícia Martins/ EC Bahia)

O Bahia conseguiu chegar à inédita semifinal do Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino em 2026. Além disso, a equipe tricolor é apenas a segunda nordestina a conquistar essa marca. A outra foi o Tiradentes, do Piauí, na edição de 2015.

Mas ainda tem mais camadas nesta caminhada. Desde a reformulação do Brasileirão Feminino, que passou a ter primeira e segunda divisões a partir de 2017, só o Bahia conseguiu chegar no mata-mata, a segunda fase do torneio. E, agora, a semifinal. Vai decidir uma vaga para a final contra o Corinthians, atual e maior vencedor do torneio com sete títulos e que participa de todas as finais de forma consecutiva desde 2017. Em suma, o time a ser batido.

Aliás, um parêntese: falar de Campeonato Brasileiro Feminino é falar de uma história muito recente. O torneio só passou a ser realizado, de forma ininterrupta, em 2013. Antes, eram torneios que começavam e terminavam sem muito compromisso.

Mas por que esse feito do Bahia é tão importante? Apesar de recente, o Brasileirão Feminino é uma das principais competições da modalidade do mundo – a maior da América do Sul. É de onde saem muitas atletas que abastecem a Seleção Brasileira Feminina e de outros países também. Ter o Nordeste aparecendo entre as principais equipes do país num torneio de elite, que vem atraindo o interesse de transmissões televisivas, patrocinadores e público é representativo.

Para se ter ideia, o recorde de público e de renda – em edições diferentes – é do Corinthians. As Brabas colocaram 44.529 pessoas na Neo Química Arena na final de 2024, contra o São Paulo, e tiveram R$ 1.237.699,00 de renda em 2025, na final contra o Cruzeiro.

Corinthians registrou a maior renda do futebol feminino brasileiro (Reprodução/ Redes sociais)

Ladeira acima

As Mulheres de Aço já tinham feito história no ano passado, quando conquistaram vaga entre as oito melhores do Brasileirão Feminino. Também ficaram no terceiro lugar na Copa do Brasil, competição que foi reeditada após seis anos, e que permaneceu no calendário brasileiro. Isso sem esquecer do título da Série A2 do Brasileirão Feminino em 2024.

Nesta temporada, a equipe comandada pelo técnico Felipe Freitas foi além: passou pelo Palmeiras, uma das principais equipes do Brasil, que têm como treinadora Rosana Augusto, medalhista olímpica de prata e vice-campeã mundial, e um elenco recheado de atletas com passagem pela Seleção, como Bia Zaneratto, Tainá Maranhão, Raíssa Bahia, Fê Palermo, Poliana. Depois de dois empates em 1×1 buscados pelo Bahia, a decisão chegou nos pênaltis, consagrando Yanne como uma das principais goleiras do campeonato, chamando ainda mais a atenção da comissão técnica de Arthur Elias.

Copa do Mundo vem aí…

Divulgação/ FIFA

Um futebol feminino forte mostra que a Bahia e o Nordeste também são importantes para a consolidação da modalidade no país. País que vai receber a Copa do Mundo Feminina em 2027, e tem Salvador, Recife e Fortaleza como sedes.

Mostra que, depois da ascenção de equipes como São Francisco do Conde, que chegou ao primeiro lugar do ranking da CBF, Vitória das Tabocas, vice-campeã da Copa do Brasil de 2011, e das formadoras de atletas como UDA, Caucaia e Flamengo de Feira, existem equipes que conseguem competir com as que se tornaram hegemônicas na modalidade, como o Corinthians ou a Ferroviária. E, além disso, tem equipes com belos projetos de desenvolvimento de base, como o recém-criado Litoral Norte, na Região Metropolitana de Salvador.

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Num país que proibiu por lei mulheres de jogar futebol até 1979, e que tem sua principal estrela, Marta, uma mulher alagoana, ver equipes fora do eixo Sul-Sudeste brigando entre as melhores do país é revigorante. Que se torne um estímulo para que mais times, como Vitória, Ceará, Fortaleza, Sport, Náutico, UDA reforcem ainda mais o compromisso em desenvolver a modalidade, que mais meninas e mulheres enxerguem no esporte uma opção de profissional e que o público abrace o futebol de mulheres.

 

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