Reunindo ativistas e moradores no Farol da Barra, a manifestação em defesa do cachorro Orelha, ocorrida na manhã deste domingo (01), chama a atenção por mudanças estruturais nas políticas públicas voltadas à causa animal no Brasil. Entre os participantes estavam Taliça Gama e Ian Gama, que destacaram a importância da mobilização popular para combater a impunidade em casos de maus-tratos.
Para eles, o debate precisa ir além de um único episódio e provocar reflexões mais profundas na sociedade. “A gente espera a redução da maioridade penal, e mais justiça no Brasil, e que as pessoas pensem que animais não são brinquedos. Eu acredito que a força popular faz com que realmente aja uma movimentação onde as pessoas entendam que não vai ter impunidade só porque foi um cachorro”, afirmam.
Os manifestantes também chamaram atenção para a necessidade de maior engajamento contínuo da população, independentemente da repercussão midiática. “A gente também espera que as pessoas enxerguem as manifestações e participem mais, não porque teve essa repercussão nacional, mas toda hora tem um animal sendo morto, sendo utilizado como arma ou brinquedo”, completam.
“Essa semana mesmo, a gente viu um caso de um canil clandestino, que foi interditado com mais de 37 Spitz Alemães como esse, vivendo em estado deplorável, e uma ONG pegou para tentar criar, amenizar a situação, e não incentivo do governo nenhum. Uma ONG pegou e está com tutela junto com a polícia, gastou muito dinheiro com cirurgias, todos os dentes praticamente estragados, muitos tiveram que fazer cirurgia de biometria, tem pelo menos umas 5,6 fêmeas já grávidas pra parir, ou seja, mais gastos, e não tem apoio nenhum em questão governamental, são sozinhos, se mantendo com doações e ajuda popular, para poder arcar com todo esse custo”, disse Ian em entrevista ao LapaNews.
Segundo eles, mesmo diante de ações bem-sucedidas contra crimes ambientais, o peso financeiro recai quase exclusivamente sobre voluntários e organizações independentes. “Eles foram lá, bateram de frente com esse canil, conseguiram tirar eles de lá, a custo de quê? Sem pedir ajuda, se não vai conseguir fechar as contas no final do mês”, relatam.
O Orelha era um cão comunitário, as pessoas ajudavam, mas cadê o governo nisso? Cadê a saúde pública nisso? Porque para mim é uma questão de saúde pública, não é algo que o tutor vem e buscar o animal. Hoje tem muitos cães de rua que não deveriam passar por essa situação na rua”, finalizam.
Foto: Arquivo Pessoal

