Os governos do Brasil e dos Estados Unidos firmaram na semana passada um acordo de cooperação para intensificar o combate ao crime organizado transnacional, com ações que miram a interceptação de cargas ilícitas de armamentos e de drogas transportadas entre esses dois países. Entre as medidas, está a adoção de um programa para compartilhamento de informações em tempo real.
O acordo avança após o governo Donald Trump sinalizar a intenção de que facções criminosas brasileiras, como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), sejam classificadas como terroristas, iniciativa que é rejeitada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O tema não teria sido abordado, porém, nas tratativas que resultaram no acordo.
Pesquisadores avaliam a cooperação como positiva, sobretudo para o combate do tráfico de armas, já que parte das armas apreendidas em território brasileiro é de origem americana. Há ressalvas, porém, quanto à efetividade para o combate ao tráfico e em relação ao desenho do acordo, encabeçado pela Receita Federal, do lado do Brasil, e pela agência de fronteiras, no caso dos EUA.
Hoje, o Primeiro Comando da Capital (PCC) está presente em 28 países, segundo mapeamento do Ministério Público de São Paulo (MP-SP). Já o Comando Vermelho tem atuação marcada por forte poderio bélico, transformando áreas do Rio de Janeiro em espécies de fortalezas do crime. Como mostrou o Estadão, investigações indicam que hoje mesmo criminosos paulistas estão escondidos por lá.
Em qual contexto o acordo foi firmado?
O Ministério da Fazenda afirma que o acordo, que busca integrar esforços de inteligência e intensificar operações conjuntas, está inserido no contexto do diálogo iniciado entre Lula e Donald Trump, integrando uma agenda mais ampla de cooperação bilateral voltada ao enfrentamento do crime organizado transnacional.
No fim do ano passado, em meio a tensões ainda relacionadas à imposição de tarifas ao Brasil pelos EUA, os dois fizeram uma ligação telefônica para abordar, entre outros pontos, formas de combate ao crime organizado, com previsão de reforçar a cooperação entre os países nesse sentido a partir de então.
De acordo com o Ministério da Fazenda, o processo do acordo foi destravado depois da conversa do presidente Lula com Donald Trump – a pasta acrescentou que as autoridades de ambos os países, inclusive, agora estão discutindo outras formas de cooperação.
Na prática, a ideia é que a iniciativa, denominada projeto MIT (Mutual Interdiction Team), funcione como uma cooperação mútua, encabeçada pela Receita Federal do Brasil, que tem interlocução direta com a Polícia Federal, e pelo U.S. Customs and Border Protection (CBP), agência de fronteiras dos Estados Unidos.
Fonte: Estadão
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