O talento para empreender pode estar em qualquer lugar. Mas, para que ele se transforme em renda, autonomia e oportunidades, muitas vezes é preciso mais do que capacitação: é necessário acolhimento, orientação e acesso às ferramentas certas.
Foi com essa proposta que cerca de 40 empreendedoras do Subúrbio Ferroviário de Salvador chegaram ao Sebrae Bahia, nesta quinta-feira (27), para apresentar suas experiências ao ministro do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte, Paulo Henrique Pereira.
Durante o encontro, o ministro conheceu o Projeto Marsúpio, desenvolvido pela Fundação Paulo Cavalcanti em parceria com a Associação Comercial da Bahia. A iniciativa atua no acolhimento, formação, fortalecimento e formalização de empreendedores informais.
Depois de conhecer o projeto e conversar com as participantes, Pereira destacou o modelo como uma experiência que pode ser replicada em outras regiões do país.
“Acho que o projeto é uma referência do que a gente precisa construir, que é formação, apoio, toda a estrutura para que esse talento que está em todas as cidades brasileiras possa florescer, gerar renda e riqueza para o nosso povo. Fiquei encantado com o que vi e espero que isso possa ser um exemplo para outros lugares do Brasil”, afirmou.
Mais do que ensinar a empreender
A proposta do Marsúpio parte de uma percepção simples: para quem vive na informalidade, as dificuldades nem sempre estão apenas na falta de conhecimento sobre negócios.
Por isso, o projeto combina conteúdos relacionados ao empreendedorismo e à formalização com acolhimento, orientação, alfabetização e aprendizagem digital. A ideia é ajudar a reduzir barreiras que afastam pequenos empreendedores de oportunidades, serviços financeiros e políticas públicas.
Para o presidente da Fundação Paulo Cavalcanti, Paulo Cavalcanti, esse processo também passa pela construção da autoestima e do sentimento de pertencimento.
“Já falamos do assistencialismo, que é dar o peixe. Já falamos de financiamento, que é dar a vara. Já falamos da capacitação, que o Sebrae faz muito bem, que é ensinar a pescar. Agora falta o acolhimento, ensinar o caminho da autoestima cidadã a essas pessoas e mostrar que todas têm uma fração de poder no nosso país”, afirmou.
Segundo ele, a formação precisa ir além das ferramentas necessárias para administrar um negócio.
“Ele precisa adquirir sua autoestima, a autoestima cidadã, a autoestima empreendedora. Ele é cidadão econômico, cidadão social e cidadão político também. É esse sentimento de pertencimento, de entender: ‘eu sou cidadão’”, explicou.
Governo quer aproximar pequenos negócios das compras públicas
A apresentação do Marsúpio ocorreu durante uma agenda em que o ministro também apresentou políticas voltadas aos pequenos negócios. Entre elas está o Contrata+Brasil, plataforma que conecta Microempreendedores Individuais (MEIs) a oportunidades de prestação de serviços para órgãos públicos.
Para Pereira, a ferramenta pode ajudar a fazer com que recursos das compras governamentais circulem diretamente nas comunidades.
“Isso é uma revolução. Está começando, tem poucos meses de ferramenta, mas nós vamos ter em alguns anos uma capacidade de transferência de renda formidável”, afirmou.
Na prática, serviços como pintura de escolas, manutenção de aparelhos de ar-condicionado e outras demandas do poder público poderiam ser realizados por profissionais que vivem nos próprios territórios.
A expectativa do governo é ampliar a adesão de órgãos federais à plataforma e, com isso, aumentar a quantidade de oportunidades disponíveis para os MEIs.
Encontro abre novas portas para empreendedoras
Além da troca de experiências, a presença das participantes no Sebrae criou novas possibilidades de acesso a políticas e serviços.
Durante o encontro, Sâmio Cássio Carvalho, superintendente de Rede da Caixa Econômica Federal em Salvador, apresentou a linha de microcrédito Acredita no Primeiro Passo e informou que a agência da Calçada está preparada para receber as participantes interessadas.
O secretário estadual do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, Augusto Vasconcelos, também ressaltou a importância de iniciativas que aproximem empreendedorismo, autonomia e geração de renda.
“O Projeto Marsúpio é uma dessas iniciativas que valoriza ainda mais o talento, sobretudo dessas mulheres que se dedicam tanto para chefiar suas famílias, mas que precisam ter renda, autonomia, construir um ciclo de prosperidade.”
O reconhecimento ao projeto também veio do diretor-superintendente do Sebrae Bahia, Jorge Khoury, que classificou a iniciativa como um modelo que pode ultrapassar as fronteiras da Bahia.
“Um modelo muito interessante que a Bahia tem e que pode ser inclusive levado para outros estados do Brasil”, afirmou.
“O lugar que a gente mora não define a gente”
Para quem participa do Marsúpio, ocupar espaços como o Sebrae e estabelecer contato direto com instituições e representantes do poder público também faz parte do processo de transformação.
É o caso de Eliana Silva, empreendedora do ramo da costura e participante do projeto. Para ela, encontros como o realizado em Salvador ajudam a ampliar horizontes e criar novas possibilidades.
“Nós precisamos de mais espaços, mais momentos como esse para que a gente possa conhecer, ter mais oportunidades. O lugar que a gente mora não define a gente. O que define é aquilo que a gente busca”, afirmou.
A participação das empreendedoras no encontro faz parte da estratégia de articulação do Projeto Marsúpio, que busca aproximar os participantes de instituições, políticas públicas, linhas de crédito e outros ambientes capazes de ampliar as oportunidades para quem transforma o próprio talento em fonte de renda.
No Subúrbio Ferroviário, a ideia é que empreender não seja apenas uma forma de sobreviver, mas também um caminho para conquistar autonomia, fortalecer a economia local e ocupar novos espaços de cidadania.
